O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) emitiu, na tarde desta sexta-feira (29), uma nota em resposta ao anúncio do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que classificou facções criminosas brasileiras como “terroristas globais especialmente designados” e “organizações terroristas estrangeiras”.
O texto destaca que o tema não deve ser tratado sob motivações ideológicas ou políticas, repudiando nominalmente a atuação da família Bolsonaro, acusando-a de promover interferências e buscar apoio internacional em questões internas do país.
Segundo o governo Lula, “a segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos”.
A decisão do governo americano foi comunicada após o senador e pré-candidato à presidência nas eleições de 2026 Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
No texto, o governo afirma ainda que “ falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”, nominando também a família do ex-presidente Jair Bolsonaro como responsáveis pelas interferências.
“E deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, afirma.
Apesar das duas classificações feitas pelos EUA serem aplicadas frequentemente às mesmas organizações, elas são dois tipos diferentes de dispositivos do governo norte-americano.
A expressão “organizações terroristas estrangeiras” (Foreign Terrorist Organizations, ou FTO) é uma designação atribuída exclusivamente pelo secretário de Estado dos EUA a organizações estrangeiras que estejam envolvidas em atividades terroristas ou que possuam capacidade ou intenção de realizar tais atos. Além disso, essas organizações devem representar ameaça aos Estados Unidos. Essa lista, tem objetivo de criar base legal para processos criminais.
O governo também reafirma a soberania do país e o compromisso contínuo no combate ao crime organizado, ressaltando que o enfrentamento dessas organizações demanda cooperação entre as nações, mas enfatiza que eventuais parcerias não podem ocorrer de maneira arbitrária ou com afrontas à soberania brasileira.
“Seguimos dispostos a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos. Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia”, diz a nota.




