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Anvisa libera funcionamento de fábrica da Ypê e uso de produtos fabricados a partir de 1º de abril

O presidente da agência, Leandro Safatle, e o diretor Daniel Meirelles, responsável pela área de fiscalização, acompanharam a inspeção na fábrica de Amparo
Por UrbNews
Atualizado há 56 minutos
Tempo de leitura: 5 mins
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No último dia 7, a Anvisa determinou o recolhimento de detergente, sabão líquido para roupas e desinfetante da marca. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou nesta sexta-feira (29) a retomada da produção da Ypê na fábrica de Amparo (SP) após nova inspeção. O órgão regulador afiram que produtos com final de lote 1 fabricados seguem suspensos e devem permanecer armazenados em local seguro.

A Anvisa afirmou que a fábrica “está apta a retomar suas atividades de forma imediata”. “A autorização foi concedida à empresa após uma reinspeção conjunta, que começou ontem e termina hoje, realizada pela Agência em parceria com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS-SP), o Grupo de Vigilância Sanitária Campinas (GVS) e a Vigilância Sanitária de Amparo (Visa-Amparo)”, disse a Anvisa.

O presidente da agência, Leandro Safatle, e o diretor Daniel Meirelles, responsável pela área de fiscalização, acompanharam a inspeção na fábrica de Amparo. Segundo a agência, a fiscalização constatou “a adequação das principais ações corretivas que têm sido implementadas pela Ypê desde a suspensão” dos itens.

No último dia 7, a Anvisa determinou o recolhimento de detergente, sabão líquido para roupas e desinfetante da marca com a numeração final 1 de lote, fabricados em Amparo, a 130 km de São Paulo. A agência ainda suspendeu a fabricação dos produtos sob argumento de que havia falhas no controle de qualidade.

“A suspensão do comércio, da distribuição e do uso de detergentes lava-louças líquidos, sabões líquidos para roupas e desinfetantes da Ypê com lotes de numeração final 1, elencados na Resolução 1.834/2026 da Anvisa, permanece em vigor. Esses produtos devem permanecer armazenados em local seguro e não serem descartados. Sua liberação ocorrerá à medida em que a empresa apresentar laudos de laboratórios autorizados pela Anvisa”, diz a agência.

A interdição dos lotes se tornou munição para campanha movida por líderes e militantes bolsonaristas em defesa da Ypê, com divulgação de teorias fantasiosas e ataques à direção da Anvisa.

As inspeções sanitárias feitas em Amparo em 2025 e 2026 foram desdobramentos de denúncias apresentadas à Anvisa e à Senacom pela multinacional anglo-holandesa Unilever, dona de marcas como Omo, Comfort e Cif, como revelou a Folha de S.Paulo.

As acusações afirmam que testes feitos pela Unilever nos produtos da concorrente detectaram a presença de uma bactéria identificada como Pseudomonas aeruginosa. A Anvisa diz que a presença da bactéria foi confirmada por análises laboratoriais contratadas pela própria Ypê.

No último dia 15, a agência havia decidido manter o veto aos produtos, mas suspender o recolhimento dos lotes. Durante aquela votação, o presidente da Anvisa disse que inspeção feita em abril na Ypê “localizou “deficiências estruturais e operacionais” e incapacidade da empresa de cumprir regras da Anvisa.

A agência diz que localizou mais de 140 lotes contaminados no estoque da empresa em Amparo. Segundo a Anvisa, ela pode causar infecções na pele, nos olhos e nos sistemas urinário e respiratório, “especialmente em pessoas mais vulneráveis”.

Em dezembro de 2025, após a primeira ordem para recolher lotes de lava roupas líquido da marca, a Química Amparo, dona da marca Ypê, apresentou à Anvisa um plano de reestruturação do parque fabril para tentar atender às exigências sanitárias.

Em reunião feita em abril do ano seguinte, a empresa disse à agência que o plano envolveria investimentos de até R$ 110 mil. Após a interdição dos lotes, as medidas foram reformuladas, e a Ypê estima que irá desembolsar cerca de R$ 130 milhões. 

Além da reforma, a Ypê tem argumentado à Anvisa e para a Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) que eventual presença da bactéria “não necessariamente representa a periculosidade do produto”.

QUE PRODUTOS FORAM SUSPENSOS?

De acordo com a decisão desta sexta-feira (29) da Anvisa, os produtos líquidos do lote que termina com o número 1, fabricados em Amparo antes de 1º de abril de 2026:

– Lava-louças Ypê Clear Care

– Lava-louças com enzimas ativas Ypê

– Lava-louças Ypê Toque Suave

– Lava-louças Concentrado Ypê Green

– Lava-louças Ypê Clear

– Lava-louças Ypê Green

– Lava-roupas Tixan Ypê Combate Mau Odor

– Tixan Ypê Cuida das Roupas

– Lava-roupas Tixan Ypê Antibac

– Lava-roupas Tixan Ypê Coco e Baunilha

– Lava-roupas Tixan Ypê Green

– Lava-roupas Ypê Express

– Lava-roupas Ypê Power Act

– Lava-roupas Ypê Premium

– Lava-roupas Tixan Maciez

– Lava-roupas Tixan Primavera

– Desinfetante Bak Ypê

– Desinfetante de uso geral Atol

– Desinfetante perfumado Atol

– Desinfetante Pinho Ypê

– Lava-roupas Tixan Power Act

Atenção: a medida não inclui lava roupas e louças em pó.

Texto por Mateus Vargas, da Folhapress.

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