Play Video
Política

Erika Hilton e entidade de direitos digitais pedem investigação de mapa do Instagram

Após a petição da parlamentar, a Meta tirou o mapa do ar e informou que o recurso ficou disponível por acidente
Por UrbNews
Atualizado há 28 minutos
Tempo de leitura: 5 mins
Compartilhe a notícia:
Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Um mapa com localizações compartilhadas em tempo real, lançado pelo Instagram na última quarta-feira (10) e derrubado horas depois, é alvo de questionamento no Brasil. A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) e a entidade de direito digital Ctrl+Z pediram ao Ministério Público Federal e ao Ministério da Justiça, respectivamente, a investigação da ferramenta e a apuração de violações legais pela Meta (dona do Instagram, Facebook e Whatsapp).

Após a petição da parlamentar, a Meta tirou o mapa do ar e informou que o recurso ficou disponível por acidente. “O Mapa do Instagram não está atualmente disponível nesta região. A funcionalidade ficou acidentalmente acessível e já foi desligada. Usuários no Brasil não podem mais acessar ou compartilhar sua localização no Mapa do Instagram”, disse a big tech, por meio da assessoria.

Hilton e a Ctrl+Z afirmam que o mapa do Instagram induz os usuários a tomar decisões contra a própria vontade. Um dos argumentos é o fato de o Instagram apresentar as opções de não compartilhamento sempre por último. Essa prática é chamada de dark pattern e consiste em ordenar informações de modo a prejudicar a capacidade de consentimento do usuário.

“O posicionamento de ‘ninguém’ como última opção é um dark pattern clássico que induz o usuário ao compartilhamento. Aqui, a Meta usa linguagem de proteção para mascarar um design que empurra ativamente para o compartilhamento”, diz a Ctrl+Z na petição, direcionada à Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) e à Secretaria Nacional de Direitos Digitais – órgãos do Ministério da Justiça.

De acordo com Luã Cruz, diretor de litigância estratégica da organização, a adição de uma ferramenta à rede social deveria vir acompanhada de explicações mais detalhadas a respeito. No entanto, ele diz que as empresas não têm interesse em ser transparentes.

“Eles não fazem justamente porque se explicarem muito, a pessoa vai pensar duas vezes antes de compartilhar. É uma decisão de negócios. Preferem desrespeitar a lei para fazer com que as pessoas utilizem cada vez mais o recurso” afirma.

Outro argumento apresentado tanto por Erika Hilton como pela Ctrl+Z diz respeito ao direito constitucional à privacidade. Disponibilizar a localização em tempo real na internet, mesmo que para grupos pequenos, pode trazer constrangimentos e riscos ao usuário.

Para justificar, ambas citam a reação de 37 procuradores-gerais dos Estados Unidos à chegada do mapa do Instagram em agosto do ano passado. Na ocasião, eles escreveram uma carta à representação da rede social no país alertando para os riscos de perseguição, assédio e outras formas de abuso.

No Brasil, diz Erika Hilton, o mapa representa um risco especial a mulheres, crianças e idosos. A parlamentar afirma na petição enviada ao MP que um clique errado poderia dar a um agressor em potencial informações suficientes para praticar crimes de feminicídio ou violência sexual.

Luã Cruz cita o Snapchat como exemplo negativo. Segundo ele, a rede social tem um recurso chamado snap map desde 2017, e há denúncias de abuso e violência praticados com base nos dados fornecidos pelos usuários. Para ele, a Meta não pode alegar desconhecer os possíveis problemas da ferramenta.

A principal diferença entre os pleitos da parlamentar e da organização está no direcionamento e abordagem do direito do consumidor.

A Ctrl+Z mandou a petição para a Senacon por enxergar violação ao CDC (Código de Defesa do Consumidor). O mapa do Instagram, segundo a entidade, coloca os usuários em situação de desvantagem em relação à Meta. Falta de transparência sobre o uso dos dados, dificuldade de revogar o compartilhamento e indução à exposição estão entre as alegações de violação.

O acidente que disponibilizou o mapa também é questionado pela Ctrl+Z. A organização quer saber como, quando e por que o recurso foi disponibilizado. Solicita, além disso, informações sobre eventual uso e armazenamento de dados enquanto o recurso esteve no ar.

A petição de Erika Hilton foi feita antes de a Meta suspender o mapa e não cita o CDC, mas coincide com a da Ctrl+Z ao pedir a apuração de possíveis violações à Constituição Federal, à Lei Geral de Proteção de Dados, ao Marco Civil da Internet ao Estatuto da Criança e do Adolescente. A assessoria jurídica da deputada diz que as petições são complementares.

A análise dos pedidos não tem prazo definido

Em nota, a Senacon informou que avalia o caso com atenção. “A depender das informações disponíveis, das evidências reunidas e da análise da conduta, poderão ser adotadas as medidas cabíveis, incluindo a instauração de averiguação preliminar ou de processo administrativo sancionador, caso sejam identificados indícios de prática irregular”, disse a assessoria.

O órgão do Ministério da Justiça também afirmou que, caso seja instaurado procedimento de investigação, a Meta será notificada.

Procurado pela reportagem, o Ministério Público não respondeu até a publicação deste texto.

Com informações de Guilherme W. Almeida, da Folhapress

28
Compartilhe

Assuntos

Notícias relacionadas

Instagram Plus começa a ser liberado no Brasil com assinatura de R$ 10 mensais; veja detalhes
Mundo
Instagram Plus começa a ser liberado no Brasil com assinatura de R$ 10 mensais; veja detalhes
NOTÍCIAS-25 (42)
Entretenimento
Instagram lança ‘Instants’, recurso para visualização única de fotos
Lana Del Rey segue fã maranhense que faz cover da cantora nas redes sociais
Entretenimento
Lana Del Rey segue fã maranhense que faz cover da cantora nas redes sociais
Instagram Plus começa a ser liberado no Brasil com assinatura de R$ 10 mensais; veja detalhes
Mundo
Instagram Plus começa a ser liberado no Brasil com assinatura de R$ 10 mensais; veja detalhes
NOTÍCIAS-25 (42)
Entretenimento
Instagram lança ‘Instants’, recurso para visualização única de fotos
Lana Del Rey segue fã maranhense que faz cover da cantora nas redes sociais
Entretenimento
Lana Del Rey segue fã maranhense que faz cover da cantora nas redes sociais
Deputada critica presidência de Erika Hilton em tumulto na Câmara: ‘Tem a força de um homem’
Política
Deputada critica presidência de Erika Hilton em tumulto na Câmara: ‘Tem a força de um homem’

Inscreva-se em nossa Newsletter!

A forma mais rápida de manter-se atualizado.
Receba as notícias mais recentes, de segunda a sexta-feira, diretamente na sua caixa de e-mail.