Uma nova diretriz internacional da American College of Physicians (ACP), entidade que reúne os médicos internistas dos Estados Unidos, publicada na segunda-feira (15) na revista científica Annals of Internal Medicine, está mudando a forma como a obesidade é tratada em todo o mundo.
O documento recomenda que os medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” passem a ser considerados a primeira linha de tratamento para pessoas com obesidade, desde que associados a mudanças de hábitos, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e acompanhamento médico.
A recomendação acompanha uma tendência já observada no Brasil. Em 2025, entidades médicas brasileiras divulgaram orientações semelhantes, reconhecendo a obesidade como uma doença crônica e complexa que exige tratamento contínuo e estratégias mais eficazes do que apenas a orientação para perda de peso por meio de dieta e exercícios.
Entre os medicamentos apontados como mais eficazes estão a semaglutida e a tirzepatida, substâncias que atuam em hormônios relacionados ao controle da fome, da saciedade e do metabolismo.
Além da redução do peso corporal, os especialistas destacam que os benefícios dessas terapias vão muito além da estética. A pesquisa aponta diminuição do risco de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), além de melhor controle do diabetes tipo 2, da hipertensão arterial, da apneia do sono e de outras condições associadas à obesidade.
Cenário adverso
O avanço das recomendações ocorre em meio a um cenário preocupante. Dados citados na nova diretriz indicam que mais da metade da população mundial já convive com sobrepeso ou obesidade. No Brasil, a situação também chama atenção: cerca de 68% dos adultos estão acima do peso ideal, enquanto aproximadamente 31% são considerados obesos.
A mudança de entendimento reflete uma transformação na forma como a medicina enxerga a obesidade. Em vez de tratar a condição apenas como consequência de hábitos inadequados, os especialistas reforçam que fatores genéticos, hormonais, ambientais, psicológicos e metabólicos desempenham papel fundamental no desenvolvimento da doença.
Apesar dos avanços científicos, o acesso ao tratamento ainda representa um desafio importante no país. Atualmente, nenhum medicamento específico para obesidade é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para a população em geral. O alto custo das terapias faz com que muitos pacientes não consigam manter o tratamento por longos períodos.
Enquanto a discussão avança, há o entendimento de que as canetas emagrecedoras não devem ser encaradas como soluções milagrosas. O sucesso do tratamento depende de acompanhamento profissional, mudanças permanentes no estilo de vida e monitoramento contínuo para garantir segurança e eficácia.




