Foi determinado nesta quarta-feira (18), pela Justiça brasileira, que o apresentador de TV Carlos Roberto Massa, conhecido como Ratinho, deverá transmitir em seu programa um vídeo de direito de resposta da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), que foi alvo de comentários transfóbicos da parte do comunicador no início de março.
A decisão determinou que a deputada tem o direito de responder às declarações de Carlos Roberto em um vídeo que será exibido ao vivo no “Programa do Ratinho”, da emissora SBT, no mesmo horário e com o mesmo tempo que durou as alegações do apresentador.
Esteve a frente do caso o juiz Andre Della Lata Cartaxo, que determinou um prazo de 10 dias para a veiculação do vídeo, sob pena de multa diária de 50 mil reais.
Em seu perfil pessoal, Erika Hilton comemorou a decisão: “Eu não deveria ter que estar celebrando isso. A transfobia, assim como toda forma de LGBTfobia, é um crime equiparado ao crime de racismo. E é absurdo que, em 2026, um apresentador, ao invés de exercer o seu direito de tecer uma crítica política, vocifere transfobia e preconceito em um ataque direcionado contra mim em plena TV aberta”.
Hilton concluiu o texto afirmando que utilizará esse espaço como forma de defender sua dignidade. “Para reparar esse ataque que o apresentador Ratinho cometeu contra mim e contra a nossa comunidade, a Justiça me concedeu um direito de resposta.mÉ por isso que, assim que todas as etapas forem finalizadas, aparecerei na tela do SBT. E, em tempo igual ao que Ratinho dedicou a suas ofensas, no mesmo horário e no mesmo programa, defenderei a minha dignidade e a dignidade de toda a nossa comunidade”, compartilhou.
A disputa judicial teve início após Ratinho afirmar que a deputada federal “não é mulher”. As declarações transfóbicas aconteceram após Hilton ser eleita ao cargo de presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, tornando-se a primeira mulher trans a comandar o colegiado.
Após a situação, a parlamentar acionou o Ministério Público Federal (MPF) e protocolou um pedido de investigação contra o ex-político. A deputada paulista solicitou a abertura de um inquérito e a prisão do apresentador, que, se for aceita, pode levar uma pena de até 6 anos de prisão.
O processo foi realizado no Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do Ministério Público de São Paulo.Além do inquérito civil, a deputada solicitou uma indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos, valor que será destinado ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos.




