As projeções do mercado financeiro divulgadas nesta segunda-feira (22) no Boletim Focus indicam que a inflação deve permanecer acima da meta estabelecida pelo Banco Central em 2026. A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu para 5,33% no próximo ano, enquanto, para 2027, a expectativa é de desaceleração para 4,15%.
Em relação à atividade econômica, os analistas projetam crescimento moderado. A previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,96% para 1,98% em 2026 e ficou em 1,70% para 2027, sinalizando um ritmo mais lento da economia nos próximos anos.
No câmbio, a expectativa é de que o dólar encerre 2026 cotado a R$5,20, com leve alta para R$5,27 em 2027.
Já para a taxa básica de juros, a Selic, o mercado prevê manutenção em patamar elevado ao longo de 2026, com projeção de 14,00% ao ano. Para 2027, existe uma expectativa de redução para 12,00%, refletindo essa possível melhora do cenário de inflação e maior abertura para flexibilização da política monetária.
Segundo o gerente de investimentos da Sicredi Veredas, Anderson Ferreira, CEA e CFP®, o levantamento desta semana reforça um desgaste do cenário macroeconômico brasileiro. “O Focus desta semana reforça a deterioração gradual do cenário macro, com nova alta da inflação e da Selic para 2026. A combinação de atividade resiliente e expectativas inflacionárias ainda pressionadas segue empurrando o custo do dinheiro para cima”, ressaltou.
De acordo Anderson, a projeção do IPCA para 2026 avançou de 5,30% para 5,33%, acumulando a 15ª alta consecutiva, enquanto a estimativa para 2027 passou de 4,10% para 4,15%.
“O movimento mostra que o mercado ainda não vê uma convergência confortável da inflação para a meta no horizonte relevante”, destacou.
Apesar do cenário de juros elevados, a atividade econômica continua demonstrando resistência. “O PIB de 2026 foi revisado de 1,96% para 1,98%, na quinta alta seguida, indicando uma economia que continua sustentando crescimento mesmo sob condições financeiras mais restritivas”, afirmou o especialista.
Para o gerente de investimentos, esse comportamento da economia contribui para manter os juros em níveis elevados por mais tempo. “Como reflexo desse cenário, a Selic projetada para 2026 subiu de 13,75% para 14,00%, consolidando a leitura de juros mais altos por mais tempo. O câmbio ficou estável em R$5,20, mostrando que a pressão atual segue mais ligada à dinâmica doméstica do que ao ambiente externo”, concluiu.
Os dados do Boletim Focus reúnem as expectativas de instituições financeiras consultadas semanalmente pelo Banco Central e servem como referência para acompanhar as perspectivas do mercado sobre os principais indicadores da economia brasileira.




