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Política

Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado após ser alvo da PF por ligação com Master

Wagner resistia à ideia de deixar a liderança do governo. Sua saída foi consumada depois de reunião de cerca de duas horas com o presidente Lula
Por Luiza Cardoso
Atualizado há 7 segundos
Tempo de leitura: 4 mins
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O chefe do governo estudava demitir seu aliado, mas preferia que o próprio senador tomasse a iniciativa de se afastar. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

O senador Jaques Wagner (PT-BA) decidiu nesta quarta-feira (24) deixar o cargo de líder do governo no Senado. Ele estava pressionado a sair do posto depois de ter sido alvo de operação da Polícia Federal por suspeita de ter recebido pagamentos ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Wagner resistia à ideia de deixar a liderança do governo. Sua saída foi consumada depois de reunião de cerca de duas horas com o presidente Lula (PT). O chefe do governo estudava demitir seu aliado, mas preferia que o próprio senador tomasse a iniciativa de se afastar.

Lula, que concorrerá à reeleição neste ano, quer evitar que sua candidatura seja contaminada pelo escândalo do Banco Master.

Na última segunda-feira (22), a defesa de Wagner apresentou recurso contra decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou a busca e apreensão nos endereços do senador. No pedido, a equipe negou a acusação da PF de que Wagner tenha atuado em favor do Master no Congresso Nacional e afirmou que há “erros graves” na medida.

Com o recurso, a defesa procura, por exemplo, anular as provas obtidas com a busca e apreensão em endereços do senador. Caso Mendonça negue o pedido, os advogados devem recorrer à Segunda Turma do Supremo.

A decisão de deixar o posto era esperada por parte dos aliados de Wagner, como mostrou a Folha. O movimento é um gesto para tentar preservar a gestão petista em meio a escândalo, que surpreendeu governistas.

Jaques Wagner ocupava o posto de líder do governo no Senado desde o início do atual mandato de Lula (PT). Foi anunciado ainda durante o governo de transição, em dezembro de 2022. Ex-governador da Bahia, ele é um dos principais nomes do PT no estado e um dos aliados mais próximos do presidente.

Lula e Wagner se conhecem há quase 50 anos e se tornaram amigos ao longo dessas décadas. O senador foi um dos principais políticos que mantiveram apoio ao hoje presidente da República quando ele foi preso, em 2018.

Interlocutores ouvidos pela Folha afirmam que o senador já quis entregar a liderança duas vezes após derrotas do governo no Congresso, mas Lula não teria deixado. A primeira tentativa de abandonar o cargo ocorreu com a aprovação do PL da Dosimetria, que beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e, depois, quando Jorge Messias teve sua indicação ao STF (Supremo Tribunal Federal) rejeitada.

Agora, o governo teme que ação contra Wagner esvazie o efeito de revelações sobre o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também manteve relação com Vorcaro e chegou a pedir dinheiro ao ex-banqueiro para financiar o filme sobre seu pai.

Lula já havia questionado Wagner, em reuniões privadas, sobre notícias acerca de sua relação com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. Segundo relatos, nessas ocasiões o senador tranquilizou o presidente, afirmando não haver envolvimento com o caso.

A coluna Mônica Bergamo também apurou que o presidente já estava preparado para a possibilidade de o escândalo do Banco Master atingir pessoas do núcleo de seu governo, especialmente da Bahia, e já teria inclusive ensaiado a resposta para dar.

A expectativa no Planalto é que Lula reitere o discurso em favor das operações iniciadas em seu próprio governo e faça um pedido de explicações a Wagner.

A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta, apura suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Além de Jaques Wagner, foram alvos Augusto Lima e Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner e secretário no governo Jerônimo Rodrigues (PT-BA).

Os investigadores identificaram um pagamento de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada a Lima ao “núcleo familiar” de Jaques Wagner, o que segundo o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, é uma das evidências de proximidade entre o parlamentar e o senador.

Wagner também teria recebido de Lima um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões, além de viagens gratuitas em jatinhos ligados ao Master, e ingressos para assistir a um show de uma “cantora internacional” em Los Angeles, em 2023.

Em endereços ligados ao senador, agentes da Polícia Federal encontraram US$ 55 mil e 33 mil euros (cerca de R$ 471 mil, em valores atuais).

Com informações de Cátia Seabra, Mariana Brasil e Isadora Albernaz, da Folhapress.

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