Em junho, mês do Orgulho LGBTQ+, a cartunista Laerte Coutinho completou 75 anos de vida e aproveitou para revisitar sua trajetória em uma entrevista exclusiva ao Gshow. Durante o bate-papo, a chargista relembrou seu processo de transição de gênero.
“Falavam: ‘Você está transitando: era homem e está virando mulher’. A gente não vira mulher, a gente transita, vive uma ideia de gênero que nos é peculiar, específica e é isso que podemos fazer”, disse Laerte.
A artista revelou publicamente que se identificava com uma mulher transgênero em 2010, ou seja, alguém cuja identidade de gênero difere do sexo biológico que lhe foi atribuído ao nascer.
Durante a entrevista, Laerte opinou sobre a parada do orgulho LGBT+, que ocorre anualmente em São Paulo e em outros estados do país. Para a cartunista, o evento não reflete a realidade do Brasil.
“É um carnavalzão, uma festa. É positivo, é bom. Não vejo movimentos assim como coisas cientificamente organizadas e objetivamente construídas para produzir um determinado efeito social”, avalia ela, destacando que a Parada cresceu, porque é esse o tamanho que deve ter. “Ao mesmo tempo, não é um atestado que as relações do Brasil estão saudáveis. Pelo contrário, as coisas estão bem difíceis. A Parada, portanto, é parte de uma realidade que é ambígua”, declarou.
Ao final do bate-papo, a chargista refletiu sobre envelhecimento. “Gostaria muito de poder voltar atrás e fazer tudo diferente, mas, se voltasse atrás, perderia a consciência também das besteiras que fiz até os 75 anos. No fim, tudo empata. […] Queremos a cabeça e a memória que temos hoje, só que eu queria ter corpinho de 20 [anos], a bunda no lugar”, finalizou.
