O deputado federal Marco Feliciano (PL-SP) saiu em defesa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) nesta segunda-feira (30), em meio à crise que se instalou no núcleo do bolsonarismo nos últimos dias. Em publicações nas redes sociais, o parlamentar repudiou os ataques direcionados à esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e fez um apelo para que os apoiadores do movimento preservem o respeito à ex-primeira-dama.
“O que estão escrevendo da minha irmã Michelle Bolsonaro aqui no X não tem cabimento. Respeitem a esposa do meu amigo Jair Bolsonaro. Respeitem a mãe da filha do meu líder”, escreveu Feliciano.
Além da manifestação de apoio, o deputado fez um alerta sobre o clima de hostilidade entre integrantes da própria base conservadora. Segundo ele, parte dos ataques contra Michelle parte de pessoas identificadas com o bolsonarismo, cenário que classificou como preocupante.
“Sobre o que estão fazendo com @/Mi_Bolsonaro só digo uma coisa: “Homens pedem perdão quando erram! O Povo de Deus perdoa. Errou, pede desculpa! HUMILDADE! Desgaste gigante! Alopragem maior ainda…”, publicou.
O que estão escrevendo da minha irmã @Mi_Bolsonaro aqui no X não tem cabimento! Respeitem a esposa do meu amigo @jairbolsonaro! Respeitem a mãe da filha do meu líder! A crueldade é uma triste manifestação da natureza humana.
— Marco Feliciano (@marcofeliciano) June 30, 2026
Feliciano chamou bolsonaristas de “antievangélicos amalucados”
Em outra publicação, Marco Feliciano criticou teorias que apontam uma suposta articulação de lideranças evangélicas contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ): “Poderia concluir que o bolsonarismo se tornou um movimento antievangélico. Segundo os amalucados, há uma conspiração evangélica contra o Flávio. Tiro no pé!”, escreveu.
O parlamentar também afirmou que o ambiente de tensão tem dificultado o trabalho de pastores e lideranças evangélicas em diversas regiões do país. Segundo ele, representantes religiosos vêm tentando explicar aos fiéis os recentes conflitos envolvendo integrantes do grupo político, mas encontram dificuldades diante da repercussão negativa nas redes sociais:
“A Liderança Evangélica brasileira se esforça diariamente, em todos os 5.569 municípios brasileiros, tentando explicar aos crentes os “equívocos” ocorridos recentemente. Mas o ódio destilado nas redes está deixando tudo mais difícil”, afirmou.
Crise ganhou força após desentendimento com Flávio Bolsonaro
As declarações de Feliciano ocorrem poucos dias após Michelle Bolsonaro tornar público um desentendimento com o senador Flávio Bolsonaro. A ex-primeira-dama revelou ter se sentido desrespeitada durante uma ligação telefônica sobre articulações políticas do Partido Liberal no Ceará.
Segundo Michelle, Flávio afirmou que ela deveria permanecer fora das decisões partidárias por entender que ainda teria pouca experiência na política.
“Ele retornou a ligação. Mas, sinceramente, para dizer o que me disse, teria sido melhor que não tivesse ligado. Foi muito ríspido, me desrespeitou e me tratou mal ao telefone. Eu não tinha feito nada contra ele. Disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, respondi que tudo bem”, relatou.
O episódio trouxe à tona as divergências entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro que, até então, permaneciam restritas aos bastidores do partido.
Tentativa de pacificação
Em resposta à fala de Michelle, o senador Flávio Bolsonaro publicou um pedido público de desculpas à madrasta, inicialmente por escrito e, depois, em vídeo.
Flávio afirmou reconhecer o trabalho desenvolvido por Michelle à frente do PL Mulher e disse esperar que os desentendimentos sejam superados em nome da unidade da família e do partido.
Mesmo após o gesto, o episódio não minizou a tensão dentro do principal grupo político ligado ao bolsonarismo, com lideranças buscando conter os efeitos da crise e evitar novos desgastes públicos.
Saída de Michelle do PL Mulher amplia desgaste
Em meio aos debates, Michelle Bolsonaro anunciou que deixará a presidência nacional do PL Mulher, e justificou que o fará para dedicar mais tempo aos cuidados com Jair Bolsonaro e com a filha do casal, Laura Bolsonaro.
A decisão foi comunicada após reunião com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, e ocorre em um momento de reorganização política dentro do partido.
A crise também teve reflexos nas redes sociais. Michelle deixou de seguir os enteados Eduardo Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro.
Além disso, Michelle e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) desistiram de participar de um encontro feminino promovido pela pré-campanha de Flávio Bolsonaro, reforçando a percepção de distanciamento entre diferentes alas do grupo político.




