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PF prende pastor Márcio Poncio em operação no Rio nesta quinta-feira (2)

Ação investiga lavagem de dinheiro com alvos na Alerj e jogo do bicho; Moraes bloqueia bens de R$ 22 mi
Por UrbNews
Atualizado há 2 horas
Tempo de leitura: 5 mins
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Poncio foi detido em um hotel na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. Foto: Reprodução redes sociais

A Polícia Federal prendeu o pastor Márcio Poncio nesta quinta-feira (2) durante uma operação que também teve como alvos o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) Rodrigo Bacellar, o contraventor Adilsinho e o advogado Marco Antônio Cabral. A ação cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão em municípios do Rio de Janeiro.

A operação investiga suspeitas de lavagem de dinheiro pela cúpula do novo jogo do bicho e possíveis ramificações do esquema em integrantes do Executivo e do Legislativo fluminenses. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), expediu os mandados e ordenou o bloqueio de bens e valores de até R$ 22 milhões.

Poncio foi detido em um hotel na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. Bacellar e Adilsinho já se encontravam presos, mas foram alvo de novos mandados nesta quinta. Bacellar deverá ser transferido do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, para um presídio federal. Ao todo, a PF cumpre três mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro e de São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

Origem da nova fase

A ação desta quinta é a quinta fase da Operação Unha e Carne, desdobramento da Operação Fumus, deflagrada em 2021 para investigar o comércio ilegal de cigarros no Grande Rio. A Operação Unha e Carne foi iniciada em dezembro de 2025 e investigava, originalmente, o vazamento de informações sigilosas sobre ações contra o Comando Vermelho. Nas fases seguintes, as apurações alcançaram Bacellar, o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto e possíveis conexões entre organizações criminosas, agentes públicos e fraudes em contratos da Secretaria de Estado de Educação.

A nova fase teve origem na análise de planilhas apreendidas com Adilsinho. Segundo a PF, os documentos contêm registros de supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e uma contabilidade paralela usada para ocultar a movimentação de recursos ilícitos. 

“Esta nova fase teve início após a apreensão de listas em poder do conhecido contraventor indicarem a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais”, afirmou a corporação em nota.

As anotações também indicariam possíveis repasses diretos a agentes políticos do estado. “As listas chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Estado do Rio de Janeiro”, acrescentou a PF.

Em abril, o ministro Gilmar Mendes afirmou ter recebido informações do diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de que “32 ou 34 parlamentares da Assembleia recebem mesada do jogo do bicho”. A declaração ocorreu após o ministro Luiz Fux citar o caso do Banco Master, que envolve colegas da corte, para defender o Rio de Janeiro de críticas que considerou generalizadas.

Quem são os investigados

Márcio Poncio é pastor, empresário do setor de tabaco e fundador da Igreja da Nuvem. Pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, ele é investigado por possíveis ligações com a chamada “Máfia do Cigarro”, coordenada por Adilsinho, segundo a polícia. O apelido de “pastor do cigarro” vem justamente de sua atuação nos negócios de cigarros.

Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, é apontado pelas forças de segurança como um dos principais chefes do jogo do bicho no estado e responsável pelo controle da fabricação e distribuição de cigarros ilegais na Região Metropolitana do Rio, com expansão das atividades para outros estados. Ele foi preso em fevereiro deste ano, em Cabo Frio, durante uma operação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado.

Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, é investigado desde as primeiras fases da operação. Ele é suspeito de integrar uma rede de proteção responsável pelo vazamento de informações sigilosas de operações policiais contra o Comando Vermelho.

Marco Antônio Cabral é filho do ex-governador Sérgio Cabral. Foi deputado federal entre 2015 e 2019 e chegou a se licenciar para comandar a Secretaria Estadual de Esporte, Lazer e Juventude no governo Luiz Fernando Pezão. Nesta quinta, ele foi alvo de mandado de busca e apreensão. A advogada Patrícia Proetti afirmou que o cumprimento “ocorreu de forma tranquila, com total colaboração às autoridades” e negou envolvimento do cliente: “Ele nega, de forma categórica, qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou o recebimento de valores de origem ilícita. Marco Antônio reafirma seu respeito às instituições e permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.”

As defesas de Bacellar, Poncio e Adilsinho não se manifestaram até o momento da publicação desta matéria.

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