O boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (13) mostrou redução na expectativa de inflação pelo segundo mês consecutivo. A projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2026 caiu de 5,30% para 5,16%, segundo o relatório semanal. As demais projeções do boletim para o ano, incluindo PIB, câmbio e taxa Selic, ficaram estáveis.
A revisão para baixo do IPCA reflete dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): a inflação oficial fechou junho em 0,16%, o menor resultado mensal desde outubro de 2025. Pelo quarto mês seguido, a inflação perdeu força. A queda nos preços dos alimentos, a primeira desde novembro de 2025, foi um dos fatores que contribuíram para o resultado.
Anderson Ferreira, CEA, CFP® e gerente de investimentos da Sicredi Veredas, pondera que, apesar do alívio na projeção de curto prazo, o desafio inflacionário não está resolvido. “O destaque desta edição do Focus foi a redução da projeção do IPCA para 2026, de 5,30% para 5,16%. Apesar do alívio, as expectativas para 2027 voltaram a subir, de 4,18% para 4,20%, indicando que o desafio para trazer a inflação à meta permanece”, afirmou.
Em 12 meses, o IPCA acumula 4,64%, segundo o IBGE. O índice ainda está acima da meta do governo, fixada em até 4,5%, mas abaixo do acumulado registrado até maio, quando era de 4,72%.
Selic e câmbio
A projeção da taxa básica de juros (Selic) para 2026 foi mantida em 14% pela terceira semana consecutiva, segundo o Focus. A taxa atual, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em 17 de junho, é de 14,25%. A diferença entre os dois números indica que o mercado espera, pelo menos, um corte de juros até o fim do ano. A próxima reunião do Copom está prevista para os dias 4 e 5 de agosto.
Ferreira observa que a melhora inflacionária de curto prazo ainda não abriu espaço para uma aceleração nos cortes. “A Selic também foi mantida em 14,00% para 2026 e 12,00% para 2027. Mesmo com a melhora da inflação de curto prazo, o mercado ainda não vê espaço para uma redução mais rápida dos juros”, disse.
Para 2027 e 2028, as projeções da Selic se mantiveram estáveis, em 12% e 10,5%, respectivamente, conforme o boletim. De junho de 2025 a março de 2026, a taxa havia permanecido em 15% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006, quando estava fixada em 15,25%.
No câmbio, as expectativas também ficaram praticamente inalteradas. O dólar projetado para o fim de 2026 permanece em R$ 5,20, segundo o Focus. Para 2027 e 2028, as projeções estão em R$ 5,28 e R$ 5,34, respectivamente. Ferreira avalia que esse quadro sinaliza “pouca mudança na percepção para a moeda”.
Crescimento e inflação para famílias
A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 foi mantida em 1,99% pela segunda semana seguida, segundo o boletim. Para 2027, no entanto, o mercado revisou levemente o crescimento esperado, de 1,69% para 1,65%. A projeção para 2028 ficou em 2%. “O cenário segue apontando para uma economia resiliente no curto prazo, mas com crescimento mais moderado à frente”, avaliou Ferreira.
A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) fechou junho em 0,14%, acumulando 4,33% nos últimos 12 meses. O indicador serve de base para reajustes salariais de diversas categorias profissionais e mede a variação de preços para famílias com renda de um a cinco salários mínimos. O IPCA, por sua vez, abrange lares com renda de um a 40 salários mínimos. O salário mínimo vigente é de R$ 1.621.
*Texto redigido com auxílio de ferramenta de Inteligência Artificial




