O presidente da Visa no Brasil, Rodrigo Cury, defendeu o Pix e descartou qualquer leitura negativa da investigação aberta pelo governo americano sobre o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro. Em entrevista ao Jornal Valor Econômico, ele afirmou que o Pix é “um negócio extremamente bem sucedido”.
A declaração vai na contramão da pressão exercida pela administração Trump, que abriu apuração pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre o Pix. Ao Valor Econômico, Cury disse também que a investigação não representa uma crítica ao sistema em si, mas levanta uma questão regulatória específica; o Banco Central (BC) atua ao mesmo tempo como regulador do mercado financeiro e operador do próprio Pix.
“Ele [relatório do USTR] não fala mal do Pix. Não tem o que falar mal do Pix. O Pix é um negócio extremamente bem sucedido, bem feito, um fenômeno realmente”, declarou o executivo. Para Cury, o ponto central do relatório é o potencial conflito de interesse por “ter um regulador, que as principais funções são a supervisão do sistema financeiro e bancário e a política monetária, gerindo um sistema de pagamentos que potencialmente — e eu falo potencialmente com asterisco aqui — concorre com outros arranjos de sistemas de pagamentos”.
Impacto sobre cartões
Embora o Pix não apresente sinais claros de concorrência com cartões de crédito, o mesmo não vale para os cartões de débito. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) mostram que o volume de transações no débito cresceu apenas 0,2% em 2025 ante 2024, abaixo do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), de 2,3% no mesmo período, conforme a entidade. O crédito avançou 14,5%, segundo a Abecs.
Apesar da concorrência, Cury reconhece que o Pix também trouxe benefícios para a Visa. “O Pix trouxe muitas coisas boas para nós. O [Gabriel] Galípolo [presidente do BC] fala muito disso, eu concordo com ele, que, juntamente com uma série de outras ações e fatores, o Pix ajudou na bancarização”, afirmou. O executivo adotou tom pragmático ao avaliar a situação; “Por um lado, ele concorre, porque ele tem um sistema de pagamentos, eu também tenho. Mas por outro lado ele traz uma série de oportunidades. […] Eu vou ser muito pragmático, a gente não vai ficar chorando em cima de um negócio que a gente não controla. A gente tem que se reinventar a cada minuto.”
Nesse contexto, a Visa lançou no ano passado a Visa Conecta, iniciadora de transação de pagamento (ITP) que opera dentro do ecossistema de open finance e usa o Pix como infraestrutura. Em abril de 2026, a empresa divulgou seu primeiro projeto com a iniciativa, em parceria com a VaideBus para viabilizar pagamentos via Pix por biometria no transporte público.




