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Dólar e Bolsa avançam com alívio das tensões no Oriente Médio

O mercado repercute a trégua nos ataques ao Irã, que derrubou o petróleo e aliviou os juros, mas mantém cautela antes da decisão do Fed
Por UrbNews
Atualizado há 2 horas
Tempo de leitura: 5 mins
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O mercado repercute a trégua nos ataques ao Irã, que derrubou o petróleo e aliviou os juros, mas mantém cautela antes da decisão do Fed
O conflito no Oriente Médio continua ditando o humor dos mercados nesta segunda-feira. Foto: Banco de imagem.

O dólar sobe nesta segunda-feira (27), com investidores atentos à perspectiva de negociações no Oriente Médio, mas ainda cautelosos diante da falta de avanços concretos para o fim do conflito.

Às 13h30, a moeda norte-americana tinha alta de 0,40%, cotada a R$ 5,101. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, oscilava e recuava 0,03%.

No mesmo horário, a Bolsa avançava 0,48%, aos 174.894 pontos, impulsionada principalmente pelas ações de bancos, que se recuperam após as perdas dos últimos pregões.

O conflito no Oriente Médio continua ditando o humor dos mercados nesta segunda-feira. No fim de semana, houve uma pausa nos bombardeios americanos após 13 noites consecutivas de ofensivas contra Teerã.

A trégua levou o Brent, referência mundial do petróleo, a recuar nesta segunda-feira. Por volta das 11h, o barril era negociado a US$ 90,14, queda de 6,92%.

O movimento pressiona as ações das petrolíferas brasileiras, especialmente as da Petrobras. Os papéis ordinários e preferenciais da estatal caíam mais de 2%.

O alívio na cotação vem após o governo dos Estados Unidos sinalizar mais uma vez que pode tentar uma solução diplomática para encerrar a guerra. O Irã, contudo, negou nesta segunda-feira que negociará um acordo de paz.

Em entrevista à Fox News neste domingo, o embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, disse que o presidente Donald Trump decidiu suspender os ataques no Irã para dar mais tempo às negociações.

A queda nos preços do petróleo também repercute no mercado de juros futuros. A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 caía para 14,01%, recuo de 15 pontos-base em relação aos 14,167% do ajuste da sessão anterior.

As taxas dos DIs refletem a expectativa do mercado para a trajetória futura da Selic e do CDI, referência para a remuneração de investimentos.

No mercado de ações americano, as Bolsas apresentam desempenhos mistos. A Nasdaq recuava 0,06%, enquanto o Dow Jones e S&P 500 avançava 0,44% e 0,01 %, respectivamente.

Apesar da pausa temporária nas ofensivas, o cenário no exterior ainda inspira cautela.

O tráfego marítimo pelo estreito de Hormuz permanece baixo. A via marítima é responsável por 20% de todo o petróleo e gás natural produzidos no mundo.

Na última semana, mísseis dos Estados Unidos atingiram alvos em todo o Irã, depois que Donald Trump disse estar “considerando um ataque maciço, maior do que nunca” contra a teocracia.

A ofensiva foi uma resposta aos ataques dos houthis, grupo militante do Iêmen aliado do Irã, a embarcações que tentavam chegar à Arábia Saudita pelo Mar Vermelho. A rota se tornou estratégica para o escoamento do petróleo após o início do conflito no Golfo Pérsico.

Com o transporte das commodities estrangulado, investidores têm temido um repique inflacionário global. Por consequência, temem também a manutenção das taxas de juros de algumas das maiores economias do mundo em patamar restritivo, em especial a dos Estados Unidos.

Quando os juros de lá estão elevados, operadores costumam optar pela renda fixa americana, considerada um investimento praticamente livre de risco. Com a expectativa da continuação do conflito, ativos mais arriscados, como os de mercados emergentes, tendem a se desvalorizar.

Nesta quarta-feira (29), o Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) se reúne para definir a nova taxa de juros do país. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, a expectativa é de que a instituição mantenha novamente os juros entre 3,5% e 3,75%. Se a projeção se confirmar, será a quinta manutenção consecutiva da taxa nesse intervalo.

“Investidores vão observar com cuidado o tom da comunicação do banco central, porque uma postura mais dura tende a sustentar os juros longos dos EUA e fortalecer o dólar, o que normalmente reduz o apetite por ativos de risco em mercados emergentes”, diz Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil.

Investidores também mantêm no radar a divulgação de indicadores econômicos. No Brasil, o destaque é o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial.

Segundo o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, os analistas passaram a projetar inflação de 5,12% neste ano, 0,03 ponto percentual abaixo da estimativa da semana passada.

Mesmo com a redução, a projeção segue acima do teto da meta de inflação, fixada em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Nos Estados Unidos, o destaque será o índice PCE, indicador de inflação preferido do Fed, que será divulgado na quinta-feira (30). Economistas consultados pela Bloomberg projetam queda de 0,1% no índice mensal e alta de 3,7% no acumulado de 12 meses.

*Com informações da Folhapress.  

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