A Fundação Cacique Cobra Coral (FCCC) anunciou nesta segunda-feira (27) a suspensão de sua assistência climática à Argentina. A entidade justificou a decisão alegando que o governo do presidente Javier Milei promoveu um “ataque político” contra o Brasil e informou que só retomará sua atuação no país após um pedido formal de desculpas por parte das autoridades argentinas.
O anúncio foi feito por meio das redes sociais da fundação, poucos dias depois de Milei intensificar as críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmar, sem apresentar provas, que o governo brasileiro teria financiado uma suposta campanha “anti-Argentina” durante a Copa do Mundo de 2026.
Na nota, a FCCC afirmou que mantém uma relação de cooperação com a Argentina desde a década de 1980, ainda durante o governo de Raúl Alfonsín, primeiro presidente eleito após o fim da ditadura militar no país. Segundo a instituição, sua atuação teve início no período da Guerra das Malvinas e se estendeu ao longo das últimas décadas em diferentes situações consideradas críticas.
A fundação destacou um episódio ocorrido em janeiro de 1989, quando afirma ter realizado uma ‘operação mística’ para ajudar a Argentina durante uma grave crise energética e de abastecimento elétrico. Conforme o relato, a intervenção teria ocorrido por meio da médium Adelaide Scritori, apontada pela entidade como responsável por realizar trabalhos de influência sobre fenômenos climáticos para provocar chuvas em bacias hidrográficas.
De acordo com a FCCC, a suspensão acontece justamente em um período considerado delicado para as condições meteorológicas da região, marcado pelo avanço do fenômeno El Niño. A instituição declarou que, enquanto não houver uma retratação oficial do governo argentino, o país permanecerá “por sua conta e risco” em relação ao suporte climático oferecido pela fundação.
A Fundação Cacique Cobra Coral afirma atuar há décadas em projetos relacionados ao clima e diz manter convênios e parcerias com órgãos públicos e empresas brasileiras, incluindo o Ministério de Minas e Energia. A entidade ganhou notoriedade nacional por afirmar que realiza intervenções para minimizar eventos climáticos extremos, como secas, enchentes e tempestades, embora suas alegações não sejam reconhecidas ou validadas pela comunidade científica.
O governo argentino não se manifestou sobre a decisão da Fundação Cacique Cobra Coral e nem sobre o pedido de desculpas citado pela entidade até o fechamento desta matéria.




