O Governo Federal lançou, nesta quarta-feira (29), um pacote de R$ 1,3 bilhão para preparar o país para os impactos do fenômeno El Niño, cuja atuação com forte intensidade é prevista entre 2026 e 2027. O plano estratégico foi definido durante reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com ministros, no Palácio do Planalto, e reúne ações voltadas à redução dos impactos socioeconômicos e ambientais provocados pelo fenômeno.
No encontro, o presidente afirmou: “O El Niño vai acontecer em breve. Nós estamos preparados. Se ele não acontecer, valeu a intenção de se preparar para enfrentar alguma coisa grave. O que é duro é quando acontece alguma coisa que ninguém está preparado”.
Lula destacou também que a preparação detalhada do Brasil é pioneira e reforçou a necessidade urgente de uma mobilização preventiva.
A iniciativa reúne medidas de segurança alimentar, prevenção de desastres, combate a incêndios, monitoramento do clima e fortalecimento da saúde. O foco é blindar a agricultura, o abastecimento de água, a geração de energia e a navegação fluvial contra os efeitos previsíveis do fenômeno.
A maior parte do montante, totalizando R$ 850 milhões, será usada para repor os estoques públicos de alimentos. O governo planeja comprar 310 mil toneladas de arroz e 180 mil toneladas de milho para conter a inflação e segurar o abastecimento diante de possíveis quebras de safra.
De acordo com a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, o governo federal criou uma Sala de Situação do El Niño, composta por 24 ministérios, para monitorar o fenômeno de forma contínua e coordenar as ações. A estratégia é sustentada por quatro pilares estratégicos: unificação e monitoramento de dados, mapeamento de riscos, antecipação de ações e proteção às populações vulneráveis.
As projeções indicam que o El Niño afetará o país de formas diferentes: a Região Norte enfrentará seca severa com risco de incêndios e rios secos; o Centro-Oeste e o Sudeste sofrerão com o atraso das chuvas; e a Região Sul terá temporais acima da média, com ameaça de enchentes e deslizamentos.
O governo federal descarta risco de desabastecimento de água no Nordeste em 2026, amparado por reservatórios a 53% da capacidade e nível adequado do Rio São Francisco. No entanto, o atraso nas chuvas pode gerar impactos em 2027, exigindo vigilância e possível ativação da Operação Carro-Pipa.




