Na noite desta segunda-feira (30), a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) participou do programa Roda Viva. Ao ser questionada pela jornalista Clarissa Oliveira sobre o episódio em que teria discutido com a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) e mandado a colega “hidratar o cabelo”, além de um comentário em seu perfil pessoal no qual se referiu a opositores como “imbecis”, Erika afirmou ter se equivocado e agido com ingenuidade.
Clarissa perguntou à parlamentar se ela não acredita que esse tipo de fala pode retroalimentar o discurso de ódio existente no jogo político-eleitoral. Em resposta, Hilton disse que não compartilha dessa visão, pois defende que sua fala foi tirada de contexto. A deputada acrescentou ainda que o comentário foi feito em um momento difícil: “Aquele dia tinha sido um dia muito doloroso, muito difícil, muito desgastante, com uma enxurrada de ameaças de morte, de ridicularização e de pinturas nuas minhas circulando nas redes sociais”.
Erika Hilton também afirmou que não teve a intenção de ofender nenhuma parlamentar e que, se quisesse “chamar alguma das senhoras de imbecis, eu faria aqui, dentro da Câmara dos Deputados. Eu fiz aquilo na internet me referindo a esses grupos odiosos que me ameaçavam”, segundo ela.
A parlamentar também explicou que sua reação não foi odiosa nem agressiva, mas sim irônica e debochada, no sentido de demonstrar que não se importa com o que outras pessoas pensam sobre o trabalho político que vem realizando. “Não fiz pensando em alimentar o jogo político-eleitoral. Fiz pensando em me proteger, fiz pensando em colocar uma posição contundente, fiz pensando em colocar uma posição firme e depois achei até que eu fui um pouco equivocada”, afirmou.
Hilton argumentou que, após o episódio, sentiu-se ingênua não por sua atitude, mas por não ter previsto que o comentário seria tirado de contexto pela oposição: “Eu já tendo esse conhecimento, talvez eu devesse ter me precavido mais, eu deveria ter sido um pouco mais atenta e pensado: será que elas não vão tentar tirar isso daqui de contexto? Será que não vão transformar esse texto em alguma outra narrativa? Nesse ponto, eu reconheço que fui um pouco ingênua, fui um pouco leviana”.
O comentário ao qual a jornalista se referiu foi um tuíte feito pela parlamentar após as críticas recebidas durante sua posse como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. Em um trecho do texto publicado por Erika em seu perfil pessoal no início do mês, ela escreveu: “A opinião de transfóbicos e imbeCIS é a última coisa que me importa”. Em seguida, acrescentou: “Podem espernear. Podem latir. Eu sou a presidenta da Comissão da Mulher”.




