De voluntário na Copa das Confederações de 2013 a profissional envolvido em algumas das maiores competições esportivas do planeta. Essa é a trajetória do cearense Sérgio Portela, que agora se prepara para mais um desafio internacional: atuar na organização da Copa do Mundo de 2026, sediada por Estados Unidos, Canadá e México.
Atualmente morando em Doha, no Qatar, Sérgio acumula experiências em mais de 50 megaeventos esportivos realizados em seis países e quatro continentes. No currículo, passagens por Copa do Mundo, Olimpíadas, Fórmula 1, Copa América, Copa da Ásia e Arab Cup.
Na Copa de 2026, ele terá um papel estratégico dentro da área de logística e transporte.
“Vou assumir um projeto nessa área funcional, onde fico responsável por um time que promoverá operações em todas as cidades-sede para transporte e logística, envolvendo grupos como patrocinadores, mídia, federações, entre outros”, explicou.
De Fortaleza para o mundo
Sérgio conta que tudo começou em 2013, quando decidiu atuar como voluntário na Copa das Confederações sem ter uma estrutura clara de como entrar na indústria dos megaeventos.
“Sem muita estrutura de como entrar nessa indústria, mas com muita vontade de viver isso”, relembrou.
Treze anos depois, ele vê a Copa do Mundo como o maior palco possível dentro do setor.
“A Copa do Mundo é o evento mais relevante dessa indústria, em termos de demanda, escopo de trabalho e relevância. Além disso, existe o lado pessoal de ser brasileiro trabalhando no maior evento esportivo do mundo, que por acaso é o futebol. Fico extremamente lisonjeado em estar envolvido”, afirmou.
Além da atuação profissional, Sérgio também passou a compartilhar conhecimento com pessoas que sonham em trabalhar nos bastidores do esporte. Ao lado da equipe, ele desenvolve conteúdos, workshops e materiais voltados para gestão de carreira em megaeventos esportivos.
“A proposta é uma abordagem prática, baseada em histórias e focada na empregabilidade”, destacou.
Fortaleza como escola operacional
Mesmo com experiências internacionais, Sérgio garante que boa parte da preparação para atuar em grandes eventos veio do futebol cearense, especialmente do contato com o Fortaleza e com a rotina intensa da Arena Castelão.
“O Fortaleza foi durante anos um dos clubes com maior quantidade de partidas no futebol brasileiro e uma das maiores quilometragens de viagem do país. Isso gera desafios constantes de deslocamento, operação, calendário apertado e tomada de decisão rápida”, explicou.
Ele também destacou o impacto da torcida cearense na formação profissional.
“Entre 2023 e 2025, a Arena Castelão recebeu mais de um milhão de torcedores por temporada em jogos do Fortaleza. Trabalhar nesse ambiente ensina muito sobre fluxo de pessoas, segurança, mobilidade e gerenciamento de pressão”, comentou.
Segundo Sérgio, a intensidade emocional da torcida nordestina ajuda a desenvolver sensibilidade operacional para eventos de grande porte.
“Você aprende a entender não só processos, mas também comportamento humano e experiência do fã”, completou.
Qatar 2022 x Copa de 2026
Tendo trabalhado na Copa do Mundo do Qatar, Sérgio aponta diferenças importantes entre o modelo do torneio realizado no Oriente Médio e o que será encontrado em 2026.
No Qatar, a principal característica era a centralização geográfica.
“Todos os estádios estavam numa área menor do que a cidade de Fortaleza. Muita gente conseguia assistir três jogos no mesmo dia”, relembrou.
Já a próxima edição será marcada pela complexidade logística.
“2026 é um modelo de escala, dispersão e complexidade logística. Você terá experiências simultâneas acontecendo em países, fusos horários, culturas e operações diferentes”, analisou.
Bastidores e encontros marcantes
Ao longo da carreira, Sérgio coleciona histórias curiosas de bastidores. Uma delas aconteceu na cerimônia de abertura das Olimpíadas Rio 2016, no Maracanã.
“Pude estar presente quando a Pira Olímpica parou de funcionar no meio do espetáculo. Foram mudanças rápidas de transmissão, equipes correndo para resolver o problema e muita comunicação de rádio. É o tipo de coisa que quase ninguém vê na TV”, contou.
Ele também relembrou encontros com grandes nomes do futebol mundial durante eventos organizados pela FIFA.
Entre os nomes citados estão Roberto Carlos, Cafu, Ronaldinho, Kaká, Dida, Júlio César, Materazzi, Lugano e René Higuita.
“Os mais gente boa foram o Kaká, um verdadeiro lord, e o Higuita, com quem tive a chance de tomar um café”, revelou.
Outro momento marcante aconteceu em um breve encontro com o presidente da FIFA, Gianni Infantino.
“Mencionei que era de Fortaleza e ele reconheceu o clube pelas cores azul, vermelha e branca”, disse.
Sonho de participar da Copa do Mundo Feminina em Fortaleza
Sérgio também revelou o desejo de participar da organização da Copa do Mundo Feminina de 2027, que terá Fortaleza como uma das cidades-sede.
Segundo ele, já houve colaboração nas etapas iniciais do projeto, auxiliando visitas técnicas da FIFA e avaliações operacionais na capital cearense.
“Fico feliz em ver Fortaleza escolhida como cidade-sede. É um sinal de que o trabalho prévio deu resultado”, afirmou.
Mesmo com uma agenda internacional cheia nos próximos anos, Sérgio não esconde o desejo de participar mais ativamente do torneio, principalmente na área de gerenciamento de voluntários.
“Acredito que seria um momento de ciclo completo numa trajetória que começou nos corredores da Arena Castelão há mais de 13 anos”, concluiu.




