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Dólar fecha no maior nível em mais de dois meses, e Bolsa cai com ataques entre Israel e Irã

Foram registrados dois óbitos de pessoas que receberam o imunizante
Por UrbNews
Atualizado há 2 horas
Tempo de leitura: 6 mins
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Foram registrados dois óbitos de pessoas que receberam o imunizante
Principal índice brasileiro, o Ibovespa caiu 0,30%, a 168.672 pontos, segundo dados preliminares. Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil

O dólar fechou em alta de 0,5% nesta segunda-feira (8), a R$5.180, o maior nível desde 17 de março, quando a moeda americana fechou em R$5.199. Principal índice brasileiro, o Ibovespa caiu 0,30%, a 168.672 pontos, segundo dados preliminares.

Os investidores reagiram ao aumento do risco geopolítico, com a retomada dos ataques entre Israel e Irã, que acabaram com o cessar-fogo que começou em 7 de abril, e à preocupação com um cenário de juros maiores nos Estados Unidos.

A retomada dos bombardeios entre os dois países levou o preço do petróleo a disparar mais de 5% nesta manhã, com o aumento do temor pela interrupção do fornecimento da commodity.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exigiu nesta segunda que Israel e Irã interrompam “imediatamente” os ataques entre os dois países, após uma nova escalada militar no fim de semana que enterrou o cessar-fogo firmado em abril e ameaça comprometer os esforços diplomáticos para encerrar a guerra.

Para Fabio Louzada, economista, planejador financeiro e fundador da B7 Business School, os investidores seguem monitorando os desdobramentos da política comercial dos Estados Unidos.

“A manutenção das tensões envolvendo tarifas e comércio internacional continua alimentando preocupações sobre crescimento global e inflação mais alta.”

Ele afirma ainda que o mercado também acompanha a trajetória dos juros americanos. “A sinalização de manutenção de juros elevados por mais tempo fortalece o dólar globalmente e reduz o interesse por mercados emergentes.”

Na sexta-feira (5), o dólar havia fechado em alta de 1,76%, a R$ 5,155, e a Bolsa caiu 0,76%, a 169.019 pontos.

O movimento foi puxado pela geração de empregos acima do esperado nos Estados Unidos. Segundo o Departamento do Trabalho, foram gerados 172 mil postos de trabalho no mês passado, bem acima dos 85 mil projetados por economistas ouvidos pela Reuters.

O número deu força à percepção de que o Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) deverá trabalhar com taxas de juros mais elevadas, ainda mais considerando a guerra no Oriente Médio. Essa leitura impulsionou os rendimentos das Treasuries, títulos de renda fixa dos EUA.

“Os dados ainda afastam o fantasma de recessão nos EUA, mas podem ter um efeito de ‘good news is bad news’ [boas notícias são más notícias], à medida que pode motivar o Fed a apertar os cintos e manter juros altos por ainda mais tempo, conforme um mercado de trabalho aquecido tende a pressionar a inflação”, ponderou a estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi.

A probabilidade do Fed aumentar a taxa em dezembro, segundo o mercado de juros futuros dos EUA, subiu para 65%, ante 48% antes da publicação dos números.

A leitura de “boas notícias são más notícias” se baseia em uma das teses mais comuns no mercado global.

Como a economia norte-americana é a maior do mundo, a renda fixa de lá é quase como um investimento livre de risco. Quando os juros dos EUA estão elevados, as Treasuries sobem -e operadores retiram parte dos recursos aplicados em ativos mais arriscados, como os de mercados emergentes, para apostar no baixo risco e alto retorno.

Esse movimento aconteceu globalmente nesta sexta. Até o S&P500, índice de referência do mercado acionário americano, tombou 2,5%, antes em altas recordes com o boom de inteligência artificial.

A próxima reunião do Fed ocorrerá entre 16 e 17 de junho, sendo a primeira sob o comando do novo presidente da autarquia, Kevin Warsh, que foi indicado por Donald Trump, crítico do antecessor Jerome Powell.

Além dos resultados de emprego, o Fed também leva em consideração a inflação elevada, que aumentou no ritmo mais rápido em três anos em abril, impulsionada pelos preços mais altos da energia em meio à guerra com o Irã.

O índice de preços PCE subiu 3,8% nos 12 meses até abril, maior aumento desde maio de 2023, conforme o Escritório de Análises Econômicas do Departamento de Comércio. Referência usada pelo Fed, o PCE estava em 3,5% em março.

Nesta sexta, Trump voltou a defender a redução da taxa de juros, mas disse que deixará a decisão sobre um possível corte para o novo presidente do Fed.

Trump criticou seguidamente Powell pela manutenção dos juros acima de 3%. O republicano defende que a taxa deveria estar entre 1% e 1,5%, bem abaixo do patamar atual entre 3,5% e 3,75%.

O cenário de guerra no Oriente Médio tampouco trouxe alívio. Na quinta-feira, com o mercado brasileiro fechado por conta do feriado de Corpus Christi, o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, rejeitou um novo cessar-fogo no Líbano, enquanto Israel disse que não iria retirar as tropas do país.

Essas decisões minam um possível entendimento entre Teerã e Washington, já que o Irã vem considerando o cessar-fogo entre Israel e Hezbollah como requisito para um acordo de paz com os EUA.

Publicamente, Trump tem tentado afastar a ideia de impasse. Na quarta, ele afirmou que o Irã “concordou em não ter armas nucleares” e que deve se encontrar com o líder supremo do país persa, Mojtaba Khamenei.

“Eles já concordaram que não vão ter armas nucleares”, afirmou o presidente americano, sem entrar em detalhes. A interrupção do programa nuclear iraniano é considerada um dos principais impasses entre os países, e o regime vinha demonstrando resistência em relação ao tema.

O conflito paralisa as cadeias de suprimento globais e o tráfego do estreito de Hormuz, via marítima responsável por 20% de todo o petróleo e gás natural produzidos no mundo.

“Esse cenário reforça a percepção de que as negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã esfriaram e de que não há indicações de uma solução rápida para o conflito”, diz Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX.

* Com informações da Folhapress.

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