Em vídeo divulgado nesta quarta-feira (24), Michelle Bolsonaro fez críticas a Flávio Bolsonaro e disse que o senador e pré-candidato a desrespeitou, maltratou e, no entendimento dela, não queria o seu apoio.
Entre outras críticas, ela também contestou os rumos do PL no cenário eleitoral cearense, citando o acordo político pela pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo e cobrando maior apoio à candidatura de Priscila Costa (PL) na disputa pela vaga de senadora. Ela também citou ataques feitos pelos enteados após o apoio dela ao senador Eduardo Girão (Novo-CE).
Em um vídeo de 15 minutos, a presidente nacional do PL Mulher contestou as articulações do partido, ressaltando que sempre agiu sob o aval direto do ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com a ex-primeira-dama, sua intenção original era formalizar o apoio do partido no Ceará ao senador Eduardo Girão (Novo), pré-candidato ao Governo do Estado. No entanto, esses planos acabaram atropelados pela decisão da cúpula da legenda de fechar aliança com Ciro.
“Eu falei diretamente com o meu marido sobre cada um desses compromissos. Eu disse a ele que queria apoiar o Girão pela sua fidelidade às pautas conservadoras, pela coerência que ele representa com as pautas da direita, totalmente oposto ao que o Ciro defende e ele me autorizou. Em matéria de política, eu faço somente o que eu e ele combinamos”, disse.
Michelle relembrou que, em um evento partidário na capital cearense, a militância feminina presente endossou seu posicionamento e se colocou majoritariamente contra a aliança com Ciro Gomes.
Ao analisar o cenário em Fortaleza, Michelle relembrou a eleição municipal de 2024 e elogiou o papel da deputada Priscila Costa na campanha do então candidato André Fernandes.
Segundo ela, o engajamento da parlamentar “fez uma diferença real e significativa” para o aliado. Na sequência, ela classificou como “revoltante” o tratamento e a falta de espaço que a deputada vem recebendo do partido.
O PL do Ceará enfrenta um impasse interno na escolha de seu candidato ao Senado, vaga disputada pelo deputado estadual Alcides Fernandes, pai de André, e pela deputada federal Priscila Costa.
A indefinição já se arrasta desde o ano passado, gerando, inclusive, declarações públicas conflitantes entre Priscila e André.
Na sequência, Michelle pontuou que a pré-candidatura de Priscila havia sido “muito bem definida” por ela, por Jair Bolsonaro e pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Segundo o acordo firmado na cúpula da sigla, as duas vagas do partido ao Senado no Ceará pertenceriam a Priscila e a Alcides.
A ex-primeira-dama denunciou, contudo, que internos se aproveitaram da prisão de Bolsonaro para tentar isolar Priscila da disputa, com o objetivo de ceder o espaço para selar a aliança com Ciro Gomes.
“Se o André queria agradar o Ciro Gomes, por que ele não ofereceu a vaga do seu próprio pai? Será que ele acha que retirar a vaga de uma mulher seria mais justo e fácil? Que fique registrado para sempre, enquanto ainda estava preso no 19º, o meu marido mandou um recado claro que foi repassado à direção do partido e ao senador Rogério Marinho. Ele disse: ‘Priscila será candidata. O número 222 deverá ser dado a ela’. Não é vago, não é interpretável, é um desejo, é uma ordem do líder”, reiterou Michelle.
Michelle concluiu afirmando que não “honrar com a determinação” estabelecida por Jair Bolsonaro será interpretado como “um ato de traição” à sua liderança.
Relação com Flávio
A ex-primeira-dama também deu detalhes da relação com Flávio e destacou que ele a criticou nas redes sociais antes de falar com ela e não atendeu o telefone.
“Voltando ao Flávio, telefonei para ele, tentei algumas vezes, mas ele não atendeu. Algumas horas depois da postagem, ele retornou à ligação. Mas sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou o telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, afirmou.
Ela continuou: “Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha – e assim permaneço”.
Críticas antigas de Ciro
Assim como já fez em outras ocasiões, Michelle relembrou críticas de Ciro ao marido para contestar a aliança local.
“Ele [Ciro] chamou o meu marido de ladrão de galinhas, de corrupto, de burro, de jumento. Disse que Bolsonaro roubava gasolina. Disse que as esposas de Bolsonaro seriam todas ladras. Disse que os filhos do meu marido -os meus enteados- eram corruptos, que eram ladrões. E deu a eles um apelido: ovos de serpentes nazistóides”, disse Michelle.
“Tenho o direito de achar errado uma aliança com quem sempre se declarou inimigo do pai deles. Tenho o direito de ser coerente com os valores que eu acredito. Eu não vou trocar valores por pragmatismo político oportunista. Também não estou impedindo ninguém de fazê-lo, mas acho errado fazê-lo no primeiro turno”.




