O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, reuniu um grupo de mulheres nesta quarta-feira (1°) para tentar construir uma agenda positiva com o eleitorado feminino. O esforço ocorre em meio à crise de Flávio com a madrasta, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).
Michelle não quis ir ao encontro, e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), uma de suas melhores amigas, também se recusou a participar, em uma demonstração de incômodo com o pré-candidato.
Uma das principais reclamações no entorno da ex-primeira-dama é sobre o silêncio de Flávio diante dos ataques sofridos por ela e por aliadas nas redes sociais, após Michelle ter divulgado vídeo em que expõe disputas internas na família. Na visão dela, Flávio não repudiou nem desautorizou essas ações.
Michelle deixou a presidência do PL Mulher nesta terça (30) e afirmou a pessoas próximas que está ainda mais desanimada com a possibilidade de ser candidata ao Senado pelo Distrito Federal.
Ela comunicou a decisão ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, em uma reunião de quase duas horas no partido. De lá, seguiu para a sede do Governo do Distrito Federal, onde se encontrou com a governadora, Celina Leão (PP), e Damares duas de suas principais conselheiras.
A própria Damares foi alvo de críticas nas redes sociais do empresário e influenciador Paulo Figueiredo, hoje braço-direito do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.
Em um vídeo contra Michelle, Figueiredo disse que as mulheres votam muito mal em especial as solteiras, já que as casadas teriam a tendência de acompanhar os maridos. “Podem arrancar os pentelhos das calcinhas, fazer o que quiser, principalmente as feministas, que têm mais pentelhos”, disse.
Durante a reunião desta quarta, Flávio disse “repudiar veementemente” a fala de Figueiredo. O senador afirmou que ele não participa da campanha e que se sentiu ofendido.
“Não concordo com o que ele falou, completamente equivocado. Ele não faz parte da nossa campanha. Óbvio que é uma pessoa que nos ajuda muito nos Estados Unidos [ ], em função disso as pessoas tentam colocar no meu colo uma fala que não é minha”, afirmou o senador.
Figueiredo compartilhou a declaração de Flávio, disse que o pré-candidato faz bem em repudiar a fala dele e minimizou sua atuação no clã Bolsonaro. “Sou um comentarista que o apoia como eleitor”, escreveu no X (ex-Twitter).
Damares foi acionada por Flávio para tentar organizar o encontro horas antes da divulgação do vídeo de Michelle. A senadora havia afirmado inicialmente que participaria da reunião e levaria sugestões para o plano de governo.
A agenda ocorreu em uma casa do advogado José Vicente Santini, um dos coordenadores da pré-candidatura de Flávio, em Brasília. O local tem sido tratado pelo grupo como escritório da pré-campanha.
O senador estava ao lado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e de Daniella Marques, que tem coordenado um eixo de propostas voltado para o eleitorado feminino e é hoje uma das principais cotadas a vice. A ideia é apresentar o plano, batizado de “Brasil Por Elas”, no próximo dia 15.
A pré-campanha de Flávio afirma que “mais de 50 lideranças femininas” participaram do encontro. A reunião contou com poucos nomes de peso no bolsonarismo. A grande maioria das integrantes deve disputar as eleições deste ano.
Uma aliada que não quis ser identificada afirmou à reportagem que preferiu consultar Michelle antes de confirmar presença na reunião com Flávio. Ela disse que Michelle a encorajou a comparecer porque entendia que isso seria importante para a campanha eleitoral dessa participante.
Um dos pivôs da briga entre Michelle e os enteados, a vereadora de Fortaleza Priscilla Costa (PL) compareceu à agenda com Flávio. Michelle quer que Priscilla seja candidata ao Senado, mas o partido deve lançar Alcides Fernandes (PL), pai do deputado federal e presidente do diretório local André Fernandes.
Aliados de Flávio minimizaram a desavença com Michelle. “Quem tem família grande sabe, tudo se ajeita no final. Nesse período de pré-campanha é quando tem para lavar a roupa suja. Na hora da campanha, todos se abraçam e se ajustam”, disse o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ).
Com informações de Thaísa Oliveira, da Folhapress




