Após se tornar investigada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) por criar um reality show em que expunha funcionários a situações humilhantes e constrangedoras, a influenciadora Viih Tube se pronunciou por meio de um vídeo publicado em seu perfil pessoal, que foi desativado logo em seguida, nesta quinta-feira (2).
A influenciadora iniciou o vídeo afirmando que não imaginava que o conteúdo tomaria tamanha proporção e disse que a intenção do reality era gerar reflexões sobre questões relacionadas ao trabalho. “Meu Deus do céu, gente, a proporção que tomou. Eu tô mega assustada. A nossa intenção era chamar a atenção”, declarou.
Viih Tube afirmou que ela e seu marido, o também influenciador e ex-BBB Eliezer, sabiam desde o início que o projeto poderia ser mal compreendido e ganhar proporções que extrapolariam a bolha de seguidores do casal.
“A gente já sabia desde o início, porque reality com pessoas que têm relação de trabalho com você… De qualquer forma, o Ministério do Trabalho pode fazer uma fiscalização. É direito deles. Porque, realmente, mistura as coisas”, explicou.
A influenciadora também compartilhou que o cronograma de publicações do reality foi planejado para haver um intervalo de 72 horas entre o primeiro e o segundo episódio, com o objetivo de causar estranheza no público antes de revelar a proposta da produção. No entanto, devido à grande repercussão negativa, o segundo episódio precisou ser antecipado.
“Neste episódio, a gente trouxe duas críticas sociais: a precarização do trabalho, que foi o que a gente mostrou no primeiro episódio, e a escala 6×1”, afirmou.
Em seguida, Viih explicou que até a data de publicação foi escolhida para dialogar com questões trabalhistas. Segundo ela, o primeiro episódio foi publicado em 1º de julho, data em que também acontecia um amplo debate no Plenário sobre o fim da escala de trabalho 6×1, sem redução salarial.
“Porque a nossa intenção era, sim, chamar atenção para falar sobre a escala 6×1, da qual nós somos contra. Porém, eu não imaginava o tamanho da proporção que tomou”, disse.
Além disso, a influenciadora destacou que nenhum dos funcionários foi obrigado a participar do reality. Segundo ela, a participação ocorreu mediante um contrato separado daquele firmado para o trabalho na residência do casal. “É importante também deixar claro para vocês que elas não são obrigadas a participar. Foi feito o convite e topou quem quis ter essa relação contratual com a gente fora do trabalho”, afirmou.
Apesar do pronunciamento, logo após a publicação do vídeo, a influenciadora desativou seu perfil na rede social.
A repercussão negativa do reality
A discussão em torno da produção teve início após a publicação do primeiro episódio do reality show “As Patroas (e o Patrão)”, que prometia premiar funcionários da residência do casal com até R$ 20 mil. As provas mostradas submetiam os participantes a dinâmicas que foram consideradas por parte do público constrangedoras e humilhantes.
Além disso, grande parte dos internautas criticou o casal por transformar a relação de trabalho em entretenimento para plataformas digitais monetizadas.
Com a repercussão, o Ministério Público do Trabalho publicou uma nota, sem citar diretamente o caso, afirmando que expor trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes ou constrangedoras pode caracterizar assédio moral.




