O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu publicamente nesta segunda-feira (6) ter conversado com o presidente da FIFA, Gianni Infantino, para pedir a revisão da expulsão do atacante Folarin Balogun durante a competição.
A polêmica começou após o confronto entre Estados Unidos e México, quando Balogun recebeu cartão vermelho em uma jogada que gerou forte controvérsia. O lance foi analisado pelo árbitro brasileiro Raphael Claus, cuja decisão acabou sendo questionada por dirigentes, torcedores e autoridades norte-americanas.
Em declarações à imprensa, Trump disse não acreditar que o lance justificasse o cartão vermelho: “Ele não fez nada de errado. E ele é nosso melhor jogador, ou um dos nossos melhores jogadores. Um jogador muito vital e ele recebeu cartão vermelho (…) e isso significa que ele não pode jogar no próximo jogo”, disse, e completou: “Se isso acontecesse com outro jogador, teria sido injusto, mas quando eles pegam o seu melhor jogador (…) é muito injusto”.
Trump confirmou que entrou em contato com Infantino após considerar injusta a expulsão aplicada pelo árbitro: “Então, sim, pedi uma revisão pela FIFA, falei com um homem que é altamente respeitado. E, a propósito, cujo nível de respeito aumentou dez vezes”, concluiu.
FIFA nega influência política
Após a repercussão das declarações, a FIFA se manifestou oficialmente. Em nota, Gianni Infantino afirmou que a suspensão do cartão vermelho ocorreu por decisão dos órgãos competentes da entidade e que o processo foi conduzido de forma independente.
Segundo a entidade máxima do futebol, a análise do caso seguiu os protocolos previstos no regulamento da competição, sem qualquer interferência externa. Infantino reforçou que as comissões responsáveis atuam de maneira autônoma e que a revisão foi baseada exclusivamente em critérios esportivos e jurídicos.
Após a revisão do caso, o jogador Balogun teve a punição revertida e voltou a ficar à disposição da seleção norte-americana. A decisão foi celebrada por torcedores da selação dos Estados Unidos.
Leia a nota de Gianni Infantino, presidente da Fifa, na íntegra:
Vi os comentários públicos sobre a decisão do Comitê Disciplinar independente da FIFA em relação à suspensão de Folarin Balogun e gostaria de reiterar um princípio fundamental da governança da FIFA.
Os órgãos judiciais da FIFA são independentes. Eles atuam com autonomia, aplicam o Código Disciplinar da FIFA e decidem os casos com base nos regulamentos aplicáveis e nos fatos específicos apresentados. Sua independência é essencial para a credibilidade e a integridade do futebol, e isso deve ser sempre respeitado.
Sim, discuto regularmente assuntos relacionados à Copa do Mundo da FIFA com o Presidente dos Estados Unidos e, sobre este caso, recebi de fato uma ligação do Presidente Donald Trump, assim como recebo ligações de chefes de Estado, autoridades governamentais, partes interessadas do futebol e executivos de todo o mundo sobre diversas questões.
Durante nossa conversa, expliquei que havia um processo em andamento envolvendo os órgãos judiciais independentes da FIFA e que o caso seria decidido no momento oportuno pelos órgãos competentes. É assim que funciona o sistema da FIFA, e esse é um princípio que sempre defenderei.
Leio as decisões do Comitê Disciplinar da FIFA assim que são emitidas. Às vezes, fico surpreso com elas. Às vezes concordo, e às vezes discordo.
O que sempre faço, no entanto, é respeitar essas decisões e a autonomia dos órgãos que as proferem. Se gostamos ou não pessoalmente de uma decisão, isso é irrelevante. O respeito às instituições independentes e ao Estado de Direito é o que protege a integridade de nossas competições e a credibilidade da FIFA em todos os momentos.




