O retorno do El Niño acende um alerta para produtores, economistas e consumidores. Caso o fenômeno climático se confirme com forte intensidade nos próximos meses, alimentos como café, arroz, trigo, milho, frutas, hortaliças e até leite poderão ficar mais caros devido aos impactos sobre a produção agrícola brasileira.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, provocando alterações no regime de chuvas e nas temperaturas em diversas partes do mundo.
No Brasil, os efeitos costumam ser distintos entre as regiões: enquanto o Sul pode enfrentar excesso de chuvas e enchentes, áreas do Centro-Oeste, Norte e Nordeste tendem a registrar estiagens prolongadas e temperaturas acima da média.
Segundo a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), existe mais de 60% de probabilidade de um episódio muito forte do fenômeno ocorrer entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
Se o fenômeno ganhar força, culturas de maior escala, como café, milho e trigo, também poderão sofrer perdas de produtividade, reduzindo a oferta e pressionando os preços nos supermercados. Segundo o Banco Mundial, a produção mundial de arroz pode cair de 20% a 50% nas regiões mais afetadas pelo fenômeno.
Frutas produzidas em regiões mais secas e até a cadeia do leite também podem ser impactadas. Isso porque a redução da produção de milho, principal componente da ração animal, tende a elevar os custos da pecuária, refletindo posteriormente no preço de carnes, leite e derivados.
Nordeste pode enfrentar seca e calor intenso
Os efeitos do El Niño variam conforme a região do país. No Sul, o excesso de chuvas pode provocar alagamentos e prejudicar lavouras em diferentes fases do cultivo.
Já no Nordeste, Norte e parte do Centro-Oeste, a preocupação está na combinação entre estiagem e calor intenso, fatores que comprometem o desenvolvimento das plantações e reduzem a produtividade agrícola.
A intensidade desses impactos dependerá da força e da duração do fenômeno, além da capacidade dos produtores de adotarem medidas de adaptação às mudanças climáticas.
Alta nos preços deve ser mais sentida em 2027
Durante o evento Agro em Pauta, promovido pelo Itaú BBA, o gerente da Consultoria Agro da instituição, Cesar de Castro Alves, explicou que os reflexos sobre a inflação de alimentos tendem a aparecer de forma mais significativa apenas em 2027.
Segundo ele, neste momento não há sinais de aumento disseminado dos preços. A principal preocupação está concentrada em algumas cadeias específicas, especialmente na produção do milho safrinha, que pode influenciar indiretamente o custo das proteínas animais e de outros alimentos.
Ainda assim, a redução da oferta poderá pressionar os preços de diversos produtos ao longo do próximo ano, afetando diretamente o orçamento das famílias.




