Enquanto os carros híbridos e elétricos vão se popularizando, a Presidência da República e o Congresso querem aumentar o teor de etanol na gasolina. É um desejo do vice-presidente Geraldo Alckmin, além do que está previsto em um projeto de lei que tramita no Legislativo.
A intenção da proposta é que o uso cada vez maior dos biocombustíveis no Brasil sirva como um dos principais instrumentos para o avanço da chamada transição energética. Porém, para analistas de mercado, há muita incerteza sobre o assunto, incluindo o prazo para que a proporção de 30%, que consta no texto original do PL, seja atingida.
O texto do Projeto de Lei 4516/2023 está circulando pela Câmara dos Deputados desde setembro do ano passado. O projeto foi batizado de “Combustível do Futuro” e prevê uma série de iniciativas para o aumento do uso de biocombustíveis no Brasil.
De qualquer forma, a produção de etanol segue em alta. Para este ano, as projeções apontam para uma produção de mais de 7 bilhões de litros de etanol de milho. No Centro-Sul, na safra 24/25 de cana-de-açúcar, são projetados 7,2 bilhões de litros.
Outros mercados envolvidos
Entretanto, existe a necessidade do mercado de açúcar estar atento às mudanças nessa nova mistura de etanol na gasolina para que sejam feitas escolhas corretas quanto ao mix de produção. Além disso, com o aumento na proporção do combustível de origem vegetal na gasolina, a tendência é do etanol cair de preço.
Mas também existe a questão técnica para que o PL seja aprovado. No caso dos carros flex, não haverá nenhum problema. Porém, nos modelos mais antigos, apenas movidos a gasolina, principalmente os que usam carburador no lugar da injeção eletrônica, podem acontecer problemas e um grande aumento no consumo.
A proposta de elevação da porcentagem de etanol na gasolina precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados. Depois, deve seguir para o Senado e, se aprovada, seguirá para a sanção do presidente da República.



