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Renda do trabalho cresce mais para ricos e menos para pobres nas regiões metropolitanas

Por UrbNews
Atualizado há 2 anos
Tempo de leitura: 3 mins
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O ganho de rendimento, contudo, não beneficiou os extremos da população na mesma magnitude, indica o 15º boletim Desigualdade nas Metrópoles, que analisa dados divulgados desde 2012 pelo IBGE. Foto: Reprodução/ Agencia Brasil

A renda domiciliar per capita do trabalho bateu recorde nas regiões metropolitanas do Brasil ao chegar a R$ 1.801 no quarto trimestre de 2023, o que representa uma alta de 4,6% em um ano, ante igual período de 2022 (R$ 1.721).

O ganho de rendimento, contudo, não beneficiou os extremos da população na mesma magnitude, indica o 15º boletim Desigualdade nas Metrópoles, que analisa dados divulgados desde 2012 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Enquanto a renda per capita do trabalho cresceu 7,6% entre os 10% mais ricos, a dos 40% mais pobres avançou somente 1,5% nas regiões metropolitanas no intervalo de um ano.

O estudo é produzido pelo laboratório de pesquisas PUCRS Data Social em parceria com o Observatório das Metrópoles e a RedODSAL (Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina).

Com o avanço de 7,6% em um ano, a renda do trabalho dos 10% mais ricos das regiões metropolitanas alcançou R$ 8.821 por pessoa no quarto trimestre de 2023, outro recorde da série iniciada em 2012. O valor era de R$ 8.197 nos três meses finais de 2022.

Enquanto isso, o rendimento do trabalho dos 40% mais pobres das metrópoles foi estimado em R$ 269,54 por pessoa no quarto trimestre de 2023.

Mesmo com o leve aumento de 1,5% ante igual intervalo de 2022 (R$ 265,44), o valor ainda ficou 4,7% abaixo do nível pré-pandemia (R$ 282,85), aponta o estudo.

Para a parcela dos 50% intermediários da distribuição de renda nas regiões metropolitanas, a alta do rendimento per capita do trabalho foi de cerca de 5%.

Nesse grupo, o indicador saiu de R$ 1.590 no quarto trimestre de 2022 para o recorde de R$ 1.669 em igual intervalo de 2023.

O boletim abrange 22 regiões metropolitanas do país e investiga somente a renda obtida com o trabalho. As transferências do Bolsa Família e de outros programas sociais, por exemplo, não entram nos cálculos.

O Bolsa Família é uma das apostas do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tentar garantir poder de consumo a brasileiros mais pobres.

Como sinaliza o boletim, é justamente essa camada da população que parece ter sentido menos o impacto da melhora recente dos salários nas metrópoles.

Segundo André Salata, coordenador do PUCRS Data Social e um dos autores do estudo, o ganho menor de renda entre os mais pobres está associado ao desempenho mais fraco do rendimento em setores como construção e transportes.

Essas atividades costumam empregar trabalhadores que estão na parte inferior da pirâmide social e que muitas vezes têm níveis de escolaridade mais baixos, aponta o pesquisador.

De acordo com ele, o rendimento individual do trabalho nas metrópoles caiu 6,5% para os ocupados na construção e recuou 1,6% para aqueles do setor de transportes entre o quarto trimestre de 2022 e igual intervalo de 2023.

“A gente está olhando somente para a renda do trabalho. Para quem está na parte de baixo da distribuição, há outros fatores que também importam para o bem-estar, como a expansão de programas sociais”, afirma Salata.

Considerando o Brasil como um todo, que não é o foco do boletim, a renda per capita do trabalho dos 40% mais pobres até teve uma redução de 2,5% entre o quarto trimestre de 2022 e o mesmo período de 2023 –de R$ 192,97 para R$ 188,07.

Com informações da Folhapress

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