“Odoyá, rainha do mar!” É assim que começa a celebração que tem “fé” e “amor” como as palavras que definem o dia 15 de agosto para os seguidores da “Rainha das Águas”, a orixá Iemanjá, considerada a mãe de todos os orixás. Patrimônio Imaterial de Fortaleza, o cortejo celebra a entidade com oferendas nas praias da capital cearense neste feriado.
Banhado com cheiro de alfazema e imerso nas cores azul e branco, o evento é enraizado na herança afro-brasileira e celebrado anualmente, trazendo uma programação diversificada que envolve crenças, tradições, além de promover a compreensão e interação entre as diferentes religiosidades.
Contando com o apoio do Estado pela Lei 17.104, a festa faz parte do calendário de festejos oficiais do Ceará e conta com grande adesão do público que presta homenagem à entidade de matriz africana, registrando a presença de 50 mil pessoas este ano nas praia e festas pela cidade.
Em Fortaleza, as comemorações acontecem desde o dia 13 e devem seguir até o sábado (17) como um retrato do combate à intolerância religiosa. A festa é realizada pelo Fórum Permanente do Povo de Terreiro do Ceará, com apoio da Prefeitura de Fortaleza e Governo do Estado do Ceará e contou com a participação de 78 terreiros no ano passado.



Celebração no Ceará
A tradição é formada muito antes do primeiro “arreio”, como são nomeadas as oferendas. No resto do Brasil, tradicionalmente, o dia de Iemanjá é comemorado em 2 de fevereiro. Em Fortaleza, a data se divide com a comemoração de Nossa Senhora da Assunção, padroeira da Capital, no dia 15 de agosto.
Na grande metrópole cearense, a orixá é celebrada desde 1950 somente no segundo semestre do ano, de acordo com relatos e dados em periódicos da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Além da fé
Para longe dos olhares equivocados, o festejo é tradição e significa resistência para os povos de terreiros e filhos de Iemanjá, que devotam sua fé a também chamada de Rainha do Mar, padroeira dos pescadores, há mais de 70 anos.
Para Luiz Bernardo, de 27 anos e umbandista há três, a orixá tem uma importância especial. “Para mim, Iemanjá é o início de tudo (…) eu sempre digo que se eu fosse muito rico eu ofertaria um banquete e tudo de maravilhoso, pois Iemanjá acolhe, no colo mesmo, nos abraça, nos confia, é muito especial”.
Serviço | Festejos à Iemanjá
15 de agosto de 2024
Praia de Iracema
- 08h30 – Bumba Meu Boi Canarinho (60min)
- 09h30 – Coco das Goiabeiras Rainha do Mar (60min)
- 10h30min – Afro Kaos (60min)
- 11h30min – Grupo Cultural Toque de Senzala (60min)
- 12h30 – Acolhida dos terreiros, falas institucionais e chegada da imagem de
- Iemanjá na jangada (90min)
- 14h – Gira de Caboclo, Marinheiros, Reis, Rainhas, Príncipes e princesas em
- homenagem a mãe Iemanjá (180min)
- 17h – Saída da jangada com as oferendas para a nossa Mãe Iemanjá a ser
- entregue na risca do mar, acompanhado com pontos cantado (cânticos) pelo o cantor
- “DGAL E AMIGOS – BATUQUE PARA IEMANJÁ” (60min).
- 18h – encerramento.
17 de agosto de 2024
Estação das Artes
- 13h – Roda de Conversa na sede do Coletivo Raízes da Periferia (90min)
- 14h30 – Cortejo da sede do Coletivo destino Estação das Artes (30min)
- 15h – Roda de Conversa na Estação das Artes “Patrimônio, Fé e Luta: Iemanjá
- nos conduz” (120min)
- 17h – Apresentação do Afoxé Filhos de Oyá (60min)
- 18h – Apresentação do Grupo Cultural Toque de Senzala (60min)




