O influenciador Pablo Marçal (PRTB) tornou-se alvo de um inquérito policial instaurado pelo delegado William Wong, titular do 89º Distrito Policial (Portal do Morumbi). A investigação foi aberta em decorrência da divulgação de um laudo falso, na última sexta-feira (4), que associava o candidato Guilherme Boulos (PSOL) ao uso de entorpecentes.
Na segunda-feira (7), a Polícia Federal (PF) corroborou o parecer já emitido pela Polícia Civil no sábado anterior, confirmando que o documento era fraudulento.
O inquérito foi instaurado após representação feita pelo próprio Boulos, que alega ser vítima de injúria e crimes eleitorais. O deputado, por meio de seu advogado, Alexandre Pacheco Martins, apresentou o laudo falso ao 89º DP. A Polícia Civil decidiu abrir a investigação após o laudo técnico do Instituto de Criminalística (IC), assinado por três peritos, concluir que o documento divulgado por Marçal não era autêntico.
Os peritos chegaram a essa conclusão após análise de assinatura que constava no laudo como sendo do médico José Roberto de Souza. Segundo verificado, o profissional nunca examinou Boulos.
O delegado Wong deverá definir os próximos passos da investigação nos próximos dias. Além de enfrentar acusações criminais, Marçal poderá ser alvo de uma ação na Justiça Eleitoral que pode resultar em sua inelegibilidade para as eleições de 2026.
TSE
No Tribunal Superior Eleitoral (TSE), espera-se que as representações contra o influenciador, que está fora da corrida pela Prefeitura de São Paulo nas eleições de 2024, cheguem à Corte até o final de novembro. Para caracterizar abuso eleitoral, segundo ministros do TSE, é necessária a comprovação da ciência do ato abusivo, o benefício obtido ou almejado, e a gravidade do abuso tanto em termos qualitativos e quantitativos.
No âmbito penal, embora seja difícil estabelecer uma ligação direta entre Marçal e a falsificação do documento da clínica Mais Consulta, a acusação pode tentar demonstrar que o influenciador e outros envolvidos formaram uma organização criminosa com o objetivo de praticar crimes eleitorais.
Nesse contexto, cada acusado teria uma função específica, sendo a de Marçal a de divulgar o laudo falso em busca de vantagem eleitoral. O fato de quem exatamente postou o conteúdo na conta de Marçal, ou se, como ele alegou, foi seu advogado Tássio Renan, torna-se secundário.
Polícia Federal
A Polícia Federal, após a conclusão da Polícia Civil de São Paulo, também atestou a falsidade do laudo divulgado por Marçal. Os peritos da PF identificaram divergências na assinatura do médico José Roberto de Souza, falecido, por meio de um exame grafoscópico. As inconsistências apontadas indicam a natureza fraudulenta da assinatura.
O exame baseou-se na comparação com assinaturas autênticas do médico, obtidas em registros oficiais, como fichas de identificação civil e pedido de passaporte. De acordo com o relatório pericial, “não há evidências de que os manuscritos questionados tenham sido produzidos pela mesma pessoa que forneceu os padrões legítimos”.




