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Ceará

UFC rediscute homenagem à estudante em nome da Concha Acústica após manifestação de políticos cearenses

Por José Gabriel Herculino
Atualizado há 2 anos
Tempo de leitura: 4 mins
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Em sessão extraordinária marcada para a próxima segunda-feira (18), o Consuni deve deliberar sobre o que o ex-prefeito e filho de ex-reitor, Roberto Cláudio (PDT), definiu como “apagar o principal capítulo” da universidade. Foto: Divulgação/UFC

O reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Custódio Luís Silva de Almeida, optou por convocar o Conselho Universitário (Consuni) para discutir novamente sobre a denominação da Concha Acústica, menos de quinze dias após decisão de homenagear o equipamento com o nome de um ex-aluno, em meio às críticas de políticos e do ex-reitor da instituição de ensino.

Em sessão extraordinária marcada para a próxima segunda-feira (18), o Consuni deve deliberar sobre o que o ex-prefeito e filho de ex-reitor, Roberto Cláudio (PDT), definiu como “apagar o principal capítulo” da universidade. Segundo ele, o espaço já tinha o nome do professora Antônio Martins Filho, primeiro reitor e fundador da instituição. 

“O professor Martins Filho, junto com outros homens e mulheres, ajudou não só a fundar a UFC, mas a mudar a história do Ceará”, disse o pedetista.

Contudo, segundo a instituição, o espaço nunca foi formalmente nomeado com o nome do ex-reitor. “Em 1959, foi afixada uma placa informal em homenagem ao fundador e primeiro reitor da UFC, Antônio Martins Filho, mas tal denominação nunca ocorreu no âmbito do Consuni, órgão máximo da UFC e a quem cabe legislar sobre esse tipo de matéria”, informou a universidade em nota enviada anteriormente ao Diário do Nordeste.

Somente agora, em nota nesta quinta-feira (14), a UFC afirmou que só após a escolha do nome do ex-aluno – Bergson Gurjão Farias, um estudante do curso de Química morto pelo regime militar na região do Araguaia – foi encontrada uma ata do Consuni, datada de 29 de agosto de 1959, que solicitava que o nome do então reitor, Antônio Martins Filho, fosse dado Auditório da Concha Acústica, o que foi aprovado à época.

“Essa ata não foi encontrada antes da 138ª Sessão Ordinária do Consuni porque a busca havia sido feita apenas no acervo que reunia portarias da Reitoria e resoluções dos conselhos, sem que tivesse sido encontrada nenhuma norma que nomeasse nem a Concha Acústica, nem seu auditório”, declarou a universidade.

Ao continuar a pesquisa, entretanto, o Memorial da UFC identificou no último dia 13 de novembro essa ata “que registra a deliberação sobre a denominação do Auditório da Concha Acústica como Auditório Martins Filho”, segundo nota da universidade.

A decisão do Consuni, agora revogada, gerou reações de outros políticos e membros da sociedade civil. O deputado Queiroz Filho (PDT), na última terça-feira (12), debateu o assunto durante da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece). Assim como Roberto Cláudio, ele acreditava que o equipamento já carregava oficialmente o nome de Antônio Martins Filho e seria modificado. 

Ele argumentou sobre a importância da manutenção do nome, ao destacar a relevância histórica do primeiro reitor da UFC para o Estado. “Nada contra a homenagem ao estudante, mas terrenos doados pelo Governo do Estado poderiam levar o nome do estudante”, afirmou. O deputado Sargento Reginauro (União) concordou, declarando que a iniciativa da UFC era “lamentável”. 

O deputado Assis Diniz (PT), por sua vez, sem saber de nova nota da UFC, enfatizou que o espaço ainda não tinha sido formalmente nomeado com registro em ata. “Não se trata de tirar o nome de um e alterar para o outro. O Bergson era estudante da UFC com uma história de vida, e o ex-reitor já tem seu espaço”, declarou, citando que o nome do reitor já está presente em outros espaços da instituição.

O ex-reitor da universidade, Cândido Albuquerque, também se posicionou sobre a possível renomeação do espaço público. Nas redes sociais, ele disse ter recebido a notícia “com surpresa”, apesar de “não entrar no mérito das preferências ideológicas”, citando que Bergson Gurjão era uma figura que “lutava para a implementação de um regime socialista no Brasil”.

“O que me assusta é a retirada do nome do autor da obra para colocar o nome de um ex-aluno, morto quando lutava por suas ideias. Penso que outro espaço acadêmico poderia receber o nome de Bergson, respeitando-se a memória e a história do nosso primeiro e maior Reitor”, escreveu.

O advogado defendeu que para uma “mudança dessa ordem ser democrática e legítima”, deveria passar por uma “consulta à sociedade na qual está inserida a Universidade” e que “os que hoje mudam a história da UFC nem mesmo faziam parte do universo acadêmico naqueles tempos”, acrescentou.

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