O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negou, nesta quarta-feira (26), as acusações de tentativa de golpe de Estado e afirmou que são “graves e infundadas”. A declaração foi feita após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitar, por unanimidade, a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) e torná-lo réu, junto com outros sete aliados, no processo sobre a trama golpista.
Em coletiva de imprensa, cercado por aliados, Bolsonaro argumentou que, enquanto presidente, tomou ações para desmobilizar movimentos que pediam intervenção militar e colaborou com a transição de governo para o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele reforçou que um golpe exigiria mais do que manifestações populares e que, após mais de um ano de investigações, ainda não havia sido identificado um líder da suposta conspiração.
“Eu espero hoje botar um ponto final nisso aí. Parece que tem algo pessoal contra mim. A acusação é muito grave, e são infundadas. E não é da boca para fora”, declarou o ex-presidente.
Além disso, o ex-presidente voltou a questionar a segurança das urnas eletrônicas e disse que não assinou a “minuta do golpe”, um documento que indicava uma intervenção no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele também criticou a condução do processo e afirmou que há algo “pessoal” contra ele.
Por fim, Bolsonaro minimizou as acusações de envolvimento em um golpe, afirmando que esse tipo de ação requer a participação de diversas instituições e setores da sociedade, o que, segundo ele, nunca ocorreu.
“Golpe tem conspiração com a imprensa, o parlamento, setores do Judiciário, setores da economia, fora do Brasil, Forças Armadas em primeiro lugar, sociedade, empresários, agricultores. Aí você começa a gestar um hipotético golpe. Nada disso houve”, afirmou Bolsonaro.
Os acusados de envolvimento na tentativa de golpe, incluindo Jair Bolsonaro, agora enfrentarão um processo penal. Além do ex-presidente, também foram denunciados Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres, General Augusto Heleno, Mauro Cid, Paulo Sérgio Nogueira, e Walter Souza Braga Netto.
Após a coleta de provas e depoimentos, o caso poderá resultar em condenações, com penas de prisão. Embora ainda não haja uma data definida para o julgamento, espera-se que ele ocorra ainda este ano, para evitar que o tema influencie as eleições de 2026.




