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Ceará

Construção de usina em praia de Fortaleza pode derrubar a internet do Brasil? Entenda

Por Marcelo Teixeira
Atualizado há 3 anos
Tempo de leitura: 4 mins
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A construção da usina de dessalinização é liderada pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece). Foto: Divulgação/Semace

O projeto da usina de dessalinização na Praia do Futuro, em Fortaleza, tem dividido opiniões e preocupando empresas de telecomunicações no Brasil. Isso porque, empresas como a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) emitiu uma recomendação contrária à instalação do projeto da usina de dessalinização. 

As empresas telefônicas temem que a estrutura da usina cause o rompimento de cabos submarinos que fornecem internet. Fortaleza é a cidade brasileira que recebe cabos de fibra ótica que garantem uma conexão rápida à internet diretamente da Europa. A partir da capital cearense, os cabos são estendidos até Rio de Janeiro e São Paulo.

Conforme a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), esses cabos que passam por Fortaleza são responsáveis por 99% do tráfego de dados do país. Caso os cabos venham a ser rompidos, a Anatel afirma que o país inteiro ficará off-line ou com a internet bastante lenta.

“O Ceará, em especial a cidade de Fortaleza, é que garante a interconexão do Brasil com o resto do mundo”, afirmou o ministro das Comunicações, Juscelino Filho, na última quarta-feira (27).

A construção da usina de dessalinização é liderada pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece). Conforme o projeto, a usina deve ampliar em 12% a oferta de água na Grande Fortaleza. O edital para a realização do projeto foi vencido pelo Consórcio Águas de Fortaleza, e o investimento previsto é da ordem de R$ 3,2 bilhões.

A Companhia, por sua vez, afirma que a construção da usina de dessalinização “não apresenta nenhum risco ao funcionamento dos cabos submarinos”. Após os alertas emitidos pelas empresas de telefonia, a Cagece realizou alterações no projeto, que custaram entre R$ 35 a 40 milhões, para garantir a segurança do cabeamento internacional.

O diretor-presidente da companhia, Neuri Freitas, afirmou que com as mudanças, a distância entre cabos e outras infraestruturas foi ampliada de 40 para 500 metros, contornando a área do projeto da usina que poderia danificar os cabos, de modo a evitar riscos.

“A nosso ver, isso está totalmente resolvido, não vamos trazer nenhum risco, buscamos a conciliação. A gente acha que não há esse risco já que no continente todos os cabos cruzam com alguma estrutura, como rede de gás, de energia e diversas outras estruturas”, disse Neuri.

Governo diz que pode “reconsiderar’ localização da usina se Anatel comprovar risco

O governador Elmano de Freitas (PT), disse nesta segunda-feira (2), durante o lançamento nacional da campanha de multivacinação, em Fortaleza, que pode reconsiderar o local de construção da usina, se a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) apresentar estudo técnico que comprove a existência de risco para o funcionamento do hub de cabos submarinos de fibra óptica.

“Se algum dia a Anatel apresentasse estudo técnico, que nós temos pelo menos dois ou três, de especialistas na área, eu poderia reconsiderar [mudar o local da usina de dessalinização]. Mas, eu só tenho opinião de ‘acho’, e governador não se movimenta pelo ‘acho’ de alguém, se movimenta por estudos técnicos, que já fizemos junto ao setor público e privado, demonstrando que não há nenhum risco para os cabos de internet que chegam a Fortaleza”, disse Elmano.

Qual o propósito da usina de dessalinização?

Em nota, a Cagece disse que trata-se de um projeto de segurança hídrica que tem como objetivo diversificar as fontes de abastecimento do Ceará, fazendo com que a distribuição de água não dependa apenas de chuvas.

“Ele faz parte no Plano de Recursos Hídricos do Ceará e do plano Fortaleza 2040. Como sabemos, vivemos hoje uma situação anunciada de mudanças climáticas, com previsão de forte El Niño para os próximos anos, o que significa cenário de estiagem para nossa região que, inclusive, está inserida no Semiárido”, afirma.

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