A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou neste domingo (13) que a União Europeia vai prorrogar até o início de agosto a suspensão das tarifas de retaliação contra os Estados Unidos. A decisão ocorre em meio à escalada das tensões comerciais após o anúncio, no sábado (12), de um novo pacote tarifário de 30% por parte do ex-presidente Donald Trump, com entrada em vigor prevista para 1º de agosto.
“Os EUA nos enviaram uma carta com as medidas que devem entrar em vigor, a menos que uma solução negociada seja encontrada. Portanto, estenderemos a suspensão das nossas [represálias] até o início de agosto”, declarou Von der Leyen.
Em publicação na rede social X, ainda no sábado (12), Ursula von der Leyen alertou que “uma tarifa de 30% sobre as exportações da União Europeia prejudicaria empresas, consumidores e pacientes dos dois lados do Atlântico”. Segundo ela, Bruxelas segue empenhada em buscar um acordo com os Estados Unidos até o dia 1º de agosto. “Continuaremos trabalhando para alcançar um acordo até 1º de agosto. Ao mesmo tempo, estamos prontos para proteger os interesses da UE com contramedidas proporcionais”, escreveu.
A presidente também afirmou em coletiva neste domingo que o bloco segue uma abordagem de dois caminhos nas negociações com os Estados Unidos. “Desde o início, trabalhamos e agora estamos prontos para responder com contramedidas. Nos preparamos para isso e podemos agir, se necessário. Essa abordagem em dois caminhos vale a pena porque estamos preparados”, declarou.
As tarifas retaliatórias da UE, aplicadas anteriormente sobre aço e alumínio dos EUA, expirariam nesta segunda-feira (14). A nova rodada de tarifas anunciadas por Trump deve atingir setores estratégicos como automóveis, medicamentos, aeronaves e vinhos, reacendendo temores em Bruxelas e reabrindo um conflito comercial que marcou o primeiro mandato de Trump entre 2018 e 2020.
Medidas reagentes
Diante do cenário, o Comitê dos Representantes Permanentes da União Europeia (Coreper) convocou uma reunião de emergência neste domingo (13) com os 27 Estados-membros para discutir a resposta do bloco.
França, Alemanha e Holanda defenderam uma postura firme. “Isso inclui acelerar a preparação de contramedidas credíveis, mobilizando todos os instrumentos disponíveis, incluindo o mecanismo de coerção, caso não se chegue a um acordo até 1º de agosto”, afirmou o presidente francês, Emmanuel Macron, em publicação na rede X.
A ministra alemã da Economia, Katherina Reiche, pediu uma abordagem “pragmática” nas negociações com os EUA. Já o primeiro-ministro holandês, Dick Schoof, demonstrou “preocupação” com o impacto das novas tarifas americanas.
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, também reagiu e garantiu que a UE dispõe de “as ferramentas” necessárias para responder, caso as tarifas de Trump entrem em vigor.




