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Pesquisa aponta presença de microplásticos em placentas e cordões umbilicais nas gestantes em Alagoas

O estudo brasileiro é o primeiro da América Latina e o segundo do mundo a conseguir comprovar a presença dessas partículas
Por Driccia Hellen
Atualizado há 12 meses
Tempo de leitura: 4 mins
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Na amostra foram encontrados cerca 110 partículas de microplásticos na placenta e 199 nos cordões umbilicais. Foto: Fotorech/ Pixabay

Uma pesquisa brasileira realizada em Maceió, em Alagoas, detectou a presença de microplásticos em placentas e cordões umbilicais de bebês nascidos na capital.  Os resultados foram publicados na revista Anais da Academia Brasileira de Ciências, nesta sexta-feira (25).

O estudo brasileiro é o primeiro da América Latina e o segundo do mundo a conseguir comprovar a presença dessas partículas. Para isso, os pesquisadores analisaram cerca de 10 gestantes do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes e do Hospital da Mulher Dra. Nise da Silveira, ambos em Maceió.

O líder do grupo de pesquisa em Saúde da Mulher e da Gestação na Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e um dos autores do estudo, Alexandre Urban Borbely, reforça a periculosidade dessa descoberta: “A preocupação de todo mundo que trabalha nessa área hoje é tentar entender o que essa contaminação está causando, porque isso é muito sério. Toda essa geração que está vindo já nasce exposta a esses plásticos dentro do útero. E o plástico está compondo de alguma maneira o organismo desses indivíduos desde a formação”.

Para a decretação desses microplásticos com mais precisão, as mulheres foram submetidas à técnica de espectroscopia Micro-Raman, capaz de identificar composições químicas de moléculas.

Na amostra foram encontrados cerca 110 partículas de microplásticos na placenta e 199 nos cordões umbilicais. Os principais compostos identificados foram o polietileno, usado em embalagens plásticas e a poliamida, utilizada em tecidos sintéticos. 

Suspeitas e hipóteses

Em 2023, uma equipe de pesquisadores da Universidade do Havaí em Manoa comprovaram a presença de partículas de plásticos e compararam amostras de 2006, que apresentaram 60% de contaminação, de 2013, com 90% de contaminação, e de 2021 com 100% das gestantes apresentando a presença de microplásticos.

Borbely, que desde 2021 investiga a presença desses compostos, recebeu financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). 

Segundo ele, cada local apresenta um tipo diferente de composição do plástico, por isso, sua pesquisa buscou mulheres que foram atendidas pelo SUS, com uma condição socioeconômica mais vulnerável para comprovar sua teoria. “A gente quis trazer a nossa realidade da nossa população”, afirmou à Agência Brasil.

O pesquisador acredita que a origem desses plásticos, em sua maioria, vem da poluição marinha, já que peixes, frutos do mar e moluscos filtradores fazem parte da alimentação diária dos alagoanos. Além do mar, outro ponto de contaminação apontado pelo pesquisador é a água mineral envasada, que adquire essas partículas na medida em que os galões recebem luz solar.

Com verbas da Financiadora de Estudos e Projetos – Finep, do Ministério da Ciência e Tecnologia, a pesquisa ampliará suas amostras para 100 gestantes e buscará relacionar a contaminação por microplásticos com as complicações na gestação ou problemas de saúde identificados após os nascimentos dos bebês.

“Um artigo americano que saiu esse ano mostrou relação entre um polímero específico encontrado na placenta e casos de prematuridade. A gente publicou um estudo com células e tecidos humanos mostrando que os plásticos de poliestireno passam com facilidade pela barreira placentária e causam alterações no metabolismo dessa placenta e na produção de radicais livres, o que também é um indício de que vai afetar o desenvolvimento do bebê”, disse Borbely.

“O Brasil não tem uma regulamentação para plástico. E o mais importante aqui é a ação que vem de cima, do governo, de regular quem está produzindo o plástico: como deve ser essa produção, o descarte de plásticos, a implantação de filtros nessas indústrias. Se a gente conseguir reduzir no ambiente, consequentemente vamos reduzir o que fica na gente”, conclui o líder do estudo. 

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