Alice Correia Barbosa, uma mulher trans brasileira, foi presa de forma violenta por agentes do serviço de imigração dos Estados Unidos no último sábado (23) em Silver Spring, no estado de Maryland. A ação foi registrada em vídeo por Stefany Ramos, amiga de Alice, que também estava no carro no momento da abordagem e divulgou as imagens nas redes sociais.
De acordo com Stefany, os agentes, que estavam à paisana, não apresentaram qualquer mandado judicial antes de forçar o vidro do carro e abrir a porta com agressividade. Alice foi retirada do veículo, algemada e levada para uma viatura policial. Os agentes alegaram que ela estaria com o visto vencido, mas não apresentaram documentação formal ou explicações no momento da detenção.
A abordagem, segundo relatos, foi marcada por desrespeito à identidade de gênero de Alice. “Durante toda a abordagem, trataram-na de forma desrespeitosa, referindo-se a ela como homem, negando sua identidade de gênero e ignorando sua dignidade”, afirmou Stefany ao jornal O Globo.
Neste domingo (24), a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) solicitou ao Ministério das Relações Exteriores que intervenha com urgência no caso. A parlamentar também alertou para o risco de Alice estar sendo transferida para uma unidade prisional masculina, o que agravaria ainda mais a violação de seus direitos.
Erika pediu que o Itamaraty e as representações consulares brasileiras nos EUA ofereçam apoio jurídico e humanitário a Alice, além de cobrarem das autoridades norte-americanas o respeito à identidade de gênero da brasileira e condições adequadas de detenção.
A deputada ressaltou ainda que a prisão fere princípios constitucionais dos próprios Estados Unidos. “Como de costume da gestão Trump, a prisão também vai contra a própria constituição estadunidense que, em seus artigos V e XIV, determina que toda pessoa que esteja nos Estados Unidos, independente de ser cidadã ou não, tem direito ao devido processo legal e à proteção legal igualitária”, publicou em suas redes sociais.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que o Consulado-Geral do Brasil em Washington está à disposição para prestar assistência, e que os atendimentos são realizados a partir de contato do cidadão ou de seus familiares, conforme o caso.




