O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes determinou nesta terça-feira (26) o reforço do policiamento nas proximidades da casa de Jair Bolsonaro (PL), no Jardim Botânico, em Brasília. A decisão atende a pedidos da Procuradoria Geral da República e da Polícia Federal, que entendem haver risco de fuga do ex-presidente. Ele cumpre prisão domiciliar desde 4 de agosto.
Na decisão, Moraes afirmou que há risco de fuga, principalmente pela atuação do deputado Eduardo Bolsonaro, filho do ex -presidente, que está nos Estados Unidos buscando influenciar as autoridades do país norte-americano contra o Judiciário brasileiro. Além disso, o ministro citou a proximidade do julgamento sobre a tentativa de golpe, marcado para começar em 2 de setembro.
O ministro determinou que a Polícia Penal do Distrito Federal realize o monitoramento contínuo das medidas cautelares aplicadas a Bolsonaro, com equipes presentes em tempo real no local. Ele solicitou que a operação seja conduzida com discrição e deixou a critério dos agentes a decisão sobre o uso de uniforme e armamento.
“O monitoramento realizado pelas equipes da Polícia Penal do Distrito Federal deverá evitar a exposição indevida, abstendo-se de toda e qualquer indiscrição, inclusive midiática, sem adoção de medidas intrusivas da esfera domiciliar do réu ou perturbadoras da vizinhança; ficando ao seu critério a utilização ou não de uniforme e respectivos armamentos necessários à execução da ordem”, escreveu Moraes.
A decisão também atende a um pedido do líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), que apontou um “risco concreto” de fuga do ex-presidente. Segundo o deputado, Jair Bolsonaro poderia tentar pedir asilo político na Embaixada dos Estados Unidos, que fica a cerca de 10 minutos de sua residência.
A PGR ainda tem até a manhã desta quarta-feira (27) para se pronunciar sobre o possível descumprimento, por parte de Jair Bolsonaro, das restrições impostas pelo STF, como a proibição do uso de redes sociais. Também será avaliado o suposto risco de fuga, após a descoberta, no celular do ex-presidente, de uma minuta que menciona um pedido de asilo à Argentina. A defesa nega que ele tenha violado as medidas cautelares.




