O descarrilamento do Elevador da Glória, conhecida atração turística de Lisboa, em Portugal, matou pelo menos 17 pessoas e feriu outras 21 ー sete delas estão em estado grave. O acidente ocorreu nesta quarta-feira (3), às 18h08 (14h08 em Brasília), e foi causado por um cabo de segurança que se rompeu, fazendo com que o funicular se chocasse contra um prédio, segundo o jornal O Público.
Após o acidente, foram mobilizados 62 socorristas e 22 veículos, entre ambulâncias, caminhões de bombeiros e viaturas policiais. Por volta das 20h30, no horário local, os bombeiros conseguiram retirar todas as vítimas presas nas ferragens, conforme o chefe da corporação, Alexandre Rodrigues. A maior parte delas foi encaminhada para o Hospital São José, o mais próximo do local do acidente.
O Inem (Instituto Nacional de Emergências Médicas) chegou a afirmar que há pessoas com sobrenomes estrangeiros entre as vítimas, mas que os corpos ainda estão passando por processo de identificação no Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses. O consulado do Brasil em Portugal recebeu nesta quinta (4) a informação de que há pelo menos um brasileiro entre os feridos. Ele foi socorrido e encaminhado a um hospital de Sintra com ferimentos leves, e já foi liberado.
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, que ocupa cargo equivalente ao de prefeito, estava no local da tragédia. Em coletiva, Moedas não entrou em detalhes sobre os feridos ou a causa do acidente, dizendo apenas que “Lisboa está de luto”.
“Estou em contato direto com o primeiro-ministro [Luís Montenegro] e o presidente da República [Marcelo Rebelo]. Vieram rapidamente para o resgate as equipes dos bombeiros e do Inem. Eu agradeço por isso. É uma enorme tragédia e um dia muito duro”, afirmou o prefeito.
Em comunicado oficial, a Carris, empresa lisboeta responsável pelo transporte urbano, disse que o bondinho estava com a manutenção em dia. “Foram realizados e respeitados todos os protocolos de manutenção. A manutenção geral é feita a cada quatro anos e ocorreu em 2022, e a reparação intercalar é concretizada de dois em dois anos, tendo a última sido em 2024. Também têm sido escrupulosamente cumpridos os programas de manutenção mensal, semanal e a inspeção diária”, afirmou a empresa em nota.
O presidente de Portugal lamentou o acidente. “O Presidente da República apresenta o seu pesar e solidariedade às famílias afetadas por esta tragédia e espera que a ocorrência seja rapidamente esclarecida pelas entidades competentes”, disse Marcelo Rebelo em nota.
Já o primeiro-ministro decretou um dia de luto nacional para esta quinta (4), cancelou sua agenda e enviou condolências às famílias das vítimas. “O governo está, desde os primeiros momentos, acompanhando a situação e a resposta das autoridades”, afirmou Montenegro em comunicado. “Sendo a prioridade imediata o socorro às vítimas, as autoridades competentes realizarão no devido tempo as averiguações necessárias para apurar as causas deste lamentável acidente”, completou.
Esse é o segundo acidente nos últimos anos envolvendo o bondinho, inaugurado originalmente em 1885 ー ele completa 140 anos em outubro. Em 2018, o funicular descarrilou, mas não chegou a tombar, após uma falha de manutenção. O episódio não deixou feridos.
O Elevador da Glória transporta até 42 pessoas em um trajeto de 265 metros de distância e 44 metros de altura, conectando a Praça dos Restauradores, no bairro da Baixa, ao Jardim de São Pedro de Alcântara, no Bairro Alto de Lisboa. Em 2002, foi considerado Monumento Nacional de Portugal, ao lado de outros dois funiculares da capital portuguesa: o Elevador da Bica e o do Lavra. Todo ano, cerca de 3 milhões de pessoas andam no bondinho.
A Calçada da Glória, onde aconteceu o acidente, começa na Avenida da Liberdade, conhecido ponto turístico que reúne as lojas de luxo de Lisboa, com marcas como Prada, Chanel, Louis Vuitton e Armani.




