O deputado federal Danilo Forte (União Brasil) afirmou nesta sexta-feira (19), em Fortaleza, que o partido “nunca deveria ter entrado” no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi feita durante encontro da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, com apoio da Fecomércio/CE, realizado no auditório do Senac. O comentário acontece em meio à resolução aprovada pela cúpula nacional da sigla, que determinou a saída imediata de todos os filiados da gestão federal.
“Eu acho que o União Brasil não devia nem ter entrado. Inclusive, em fevereiro de 2023 eu coloquei que a gente poderia contribuir de forma independente, priorizando as pautas que são importantes para a economia”, afirmou o parlamentar. Ele lembrou que a legenda votou matérias relevantes, como a reforma tributária e a nova lei de cabotagem, sem depender da ocupação de cargos na Esplanada.
Segundo o deputado, a atuação do União Brasil no Congresso sempre foi de contribuição para o país, mas sem participação nas principais decisões do Executivo.
“As pautas de governo, nós nunca participamos dela, nunca fomos convidados para discutir uma política pública, nem na área da educação, nem na área da saúde, nem na área da cultura, e nem mesmo nas áreas em que o próprio ministério é ocupado por indicações do União Brasil”, destacou.
Atualmente, o partido comanda apenas o Ministério do Turismo, ocupado por Celso Sabino (União), enquanto outros dois ministros ligados ao partido, Waldez Góes do Desenvolvimento Regional e Frederico Siqueira das Comunicações, são considerados indicações pessoais do presidente do senado Davi Alcolumbre (União) e não são filiados à sigla. Para Danilo Forte, a falta de diálogo evidencia o distanciamento do partido em relação à gestão petista.
“Nós não discutimos nenhuma política sequer de como estimular o Nordeste. Nós estamos aqui nessa luta para trazer a placenta do Ceará para gerar emprego no estado. Todo mundo sabe da minha luta e do meu compromisso com as energias renováveis, principalmente a energia do sol e do vento, que está sofrendo com os cortes”, afirmou.
A decisão do União Brasil de impor prazo de 24 horas para que seus filiados deixem os cargos no governo veio após a divulgação de reportagens que apontam suposta ligação do presidente nacional da sigla, Antonio de Rueda, com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Rueda nega as acusações, e o partido manifestou “irrestrita solidariedade” ao dirigente, classificando as publicações como “infundadas, prematuras e superficiais”.
O movimento da sigla também aumenta a pressão sobre o ministro do Turismo, Celso Sabino. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve se reunir com ele nesta sexta-feira (19), no Palácio do Alvorada, em Brasília. O encontro, não previsto nas agendas oficiais, ocorre um dia após a resolução da legenda. Caso o ministro descumpra a determinação, pode sofrer punições previstas no estatuto do partido, incluindo processo disciplinar e eventual expulsão.




