Os influenciadores digitais brasileiros de finanças e investimentos, os chamados finfluencers, somavam 176,3 milhões de seguidores em seus perfis no Facebook, Instagram, X (antigo Twitter) e YouTube ao final do primeiro semestre de 2023.
O número representa um crescimento de 6% sobre a audiência de 165,6 milhões de seguidores no final do ano passado, mostra relatório da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), publicado em parceria com o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPAD).
Na comparação com a primeira edição do relatório, que analisou o período entre setembro de 2020 e fevereiro de 2021, houve um aumento de quase 140% no número de seguidores, comprovando a popularidade crescente do marketing de influência no universo de investimentos no Brasil.
Para Paulo Vitor Porto (@paulovporto), sócio fundador da consultoria PWR Gestão, influencer Urbnews e criador de conteúdo sobre gestão e finanças, a conscientização financeira da população tem causado esse aumento na disseminação dos finfluencers no Brasil.
“As pessoas têm dores diversas e uma das principais é como organizar, nutrir e se planejar com o dinheiro, seja pessoal ou profissional. Com o consumo destes conteúdos, mais e mais pessoas ficam conscientes do que antes não estavam e acabam se aproximando e se interessando”, reflete.
Tendo ajudado centenas de empresas ao longo da carreira, Paulo Vitor Porto percebeu que a gestão financeira era uma área negligenciada. Segundo ele, “os empreendedores e gestores não percebem que o sucesso comercial pode ser prejudicado pelo insucesso financeiro e que o financeiro tem muito mais de estratégico do que se imagina”.
Sendo assim, começou a compartilhar sua expertise também nas redes sociais. “Meu trabalho é mostrar como a área financeira pode e deve ser usada estrategicamente para influenciar todos os departamentos da empresa e ajudar a amadurecer o modelo de gestão das lideranças”, explica.
Além de mais populares, os influenciadores estão engajando mais a audiência. O relatório da Anbima mostrou que as interações médias — medidas por compartilhamentos, comentários e curtidas dos seguidores — avançaram 10%. O volume de publicações subiu 13%, somando 313,9 mil vídeos e postagens no período.
Para Paulo Vitor Porto, o principal desafio em ser um influenciador na área de gestão e finanças está no conteúdo: em dar dicas relevantes sem ser maçante e, ao mesmo tempo, ser objetivo sem ser superficial.
Regras mais rígidas
O estudo da Associação mostrou que 49% dos 515 influenciadores mapeados tinham relações com instituições do mercado. Foram identificadas 364 parcerias, que incluem contratações para publicidade, participação em eventos e nos quadros de funcionários e societário.
Atenta a essa realidade, a Anbima estabeleceu regras para a contratação de influenciadores digitais para publicidade de produtos de investimento, que entraram em vigor nesta segunda-feira (13). As normas buscam garantir que os investidores saibam, com clareza, quando determinado conteúdo é uma publicidade.
A instituição deve garantir que o influenciador informe, citando o nome do contratante verbalmente ou por escrito, quando estiver fazendo uma propaganda. O distribuidor também é responsável por garantir que o influencer tenha as certificações ou autorizações necessárias caso esteja fazendo a recomendação ou análise de algum produto.
Todas as relações comerciais deverão ser regidas por um contrato que, em resumo, deve garantir que o influenciador, ao fazer uma publicidade em nome de uma instituição, zele pelo cliente, aja de boa fé e seja transparente no trato das informações, evitando conflitos de interesse e concorrência desleal.
As instituições também devem encaminhar a lista dos influenciadores parceiros à Anbima e manter os prints e links das publicações contratadas por um ano. Embora as regras não sejam voltadas para os influenciadores e nem prevejam punições para esses profissionais, eles foram consultados em audiência pública, realizada entre maio e junho deste ano.
Com relação à necessidade de regras mais rígidas para esses criadores de conteúdo, Paulo Vitor Porto acredita que o próprio mercado é capaz de afastar os maus profissionais. “Tem muita bobagem sendo falada por aí, induzindo ao erro, mas, mesmo neste contexto, eu defendo que não precisa de regramento para isso, o mercado que deve filtrar os bons dos maus criadores de conteúdo.”
Confira aqui as regras na íntegra.
Mais dados
A 5ª edição do “FInFluence – Quem fala de investimentos nas redes sociais” mapeou, entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2023, um total de 515 influencers, número igual ao capturado no segundo semestre de 2022. O total de perfis teve um ligeiro recuo, de 1%, somando 1.246 nas quatro redes mapeadas.
Foram analisadas cinco métricas: popularidade (número de seguidores), engajamento médio (interações médias), comprometimento (volume de publicações), autoridade (capacidade do influenciador dominar um ou mais assuntos do universo de finanças) e articulação (poder do player de se conectar e interagir com o ecossistema de investimentos, com diferentes públicos e outros finfluencers).
Os produtores de conteúdo Economista Sincero e O Primo Rico e o analista Thiago Guitiáns Reis são os destaques entre os influenciadores pessoas físicas. Já entre os perfis pertencentes a empresas, o pódio é ocupado pela casa de análise Dica de Hoje, pelo portal especializado Bloomberg Línea Brasil e pelo Me Poupe!, criado por Nathalia Arcuri.
Os influenciadores foram divididos em 13 categorias, que levam em consideração o conteúdo produzido e a forma como eles se declaram aos seguidores. As cinco categorias de maior destaque em relação à média de interações com a audiência foram: produtor de conteúdo, investidor independente, regulador de mercado, trader e analista. Juntas, elas representam cerca de 51% dos conteúdos analisados, 64% dos influenciadores monitorados e 74% da audiência total.
Leia aqui o relatório na íntegra.
Com informações da Anbima.




