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‘Experiência internacional’ divulgada por influenciadoras brasileiras é investigada pela Interpol por tráfico humano

O Start Program foi alvo de investigações e reportagens internacionais
Por Júlia Meira
Atualizado há 8 meses
Tempo de leitura: 3 mins
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O caso ganhou força no Brasil após os influenciadores Guga Figueiredo e Jordana Vucetic produzirem vídeos-denúncia das influenciadoras que estavam divulgando o programa e os riscos que ele oferecia. Foto: Reuters/Folhapress

Influenciadoras brasileiras foram alvo de críticas nas redes sociais após divulgarem uma empresa que está sendo investigada pela Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) por suspeita de tráfico humano. O tema veio à tona com ofertas de emprego fácil e bem remunerado em outras moedas. 

O Start Program, publicizado pela Alabuga Start, era divulgado como uma oportunidade de intercâmbio na Rússia e uma “experiência internacional” de dois anos com benefícios de manutenção no país e um salário de US$ 680 por mês, o equivalente a mais de R$ 3.500. 

No entanto, o programa foi alvo de investigações e reportagens internacionais após a agência Bloomberg publicar que a empresa responsável estava ampliando a recrutação de mulheres entre 18 e 22 anos da África, do Sudeste Asiático e da América Latina para serem mão de obra na Rússia. 

O relatório “Quem está fabricando os drones da Rússia? – As mulheres migrantes exploradas pela economia de guerra da Rússia”, da Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional, foi responsável por expor as condições de trabalho às quais as mulheres foram submetidas. Elas descreveram o trabalho no país como abusivo, com jornadas longas, vigilância constante e problemas de saúde decorrentes da exposição a produtos químicos usados para a produção de armas de guerra. 

“O recrutamento teria sido realizado online, inclusive por meio de mídias sociais e influenciadores, e com a ajuda de intermediários locais nos países de origem. Muitos recrutas trabalham diretamente na produção de drones, enquanto outros são empregados como faxineiros e fornecedores de serviços de buffet. Alguns depoimentos revelaram experiências de assédio, racismo e vigilância excessiva por parte da administração da ZEE”, diz o relatório.

O caso ganhou força no Brasil após os influenciadores Guga Figueiredo e Jordana Vucetic produzirem vídeos-denúncia das influenciadoras que estavam divulgando o programa e os riscos que ele oferecia. Entre as divulgadoras: Aila Loures, MC Thammy e Catherine Bascoy. 

Nas redes sociais, Aila se defendeu das acusações após a publicidade, afirmando que os documentos da empresa estavam dentro da legalidade. “Passou pelo crivo do escritório, foi completamente averiguado todas as informações, teve comprovação da existência da empresa na Rússia. Todos os documentos estavam certos. Então, quando chegou nas minhas mãos, estava 100% legal”, garantiu.

O mesmo argumento foi apresentado por MC Thammy, que afirmou ter apagado o conteúdo publicitário. “Fiz a publi porque apresentaram documentação e mostraram comprovações. Outros influenciadores grandes também estavam postando. Nunca faria algo que prejudicasse as pessoas. Acionei minha equipe jurídica e aprendi com a situação”, disse. 

Já Catherine Bascoy, que tem 1,9 milhão de seguidores, garantiu que a participação foi exclusiva à publicidade contratada. “Esclareço que minha participação se limitou exclusivamente à publicidade contratada, sem qualquer envolvimento com a administração ou a operação da empresa”, explicou. 

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