Chegamos ao domingo mais aguardado pelo povo do Pará: o domingo da maior festa religiosa da região e a maior procissão do mundo, o Círio de Nazaré. São 233 anos de uma devoção e fé que poucos conseguem explicar ou relatar. A grande procissão sai por volta das 7h da Catedral de Belém com destino à Basílica Santuário, erguida no mesmo local onde a Imagem foi encontrada, em 1700, pelo caboclo Plácido.
O percurso atravessa o Centro Histórico de Belém e passa por alguns dos principais monumentos representativos da cidade, como o Ver-o-Peso, a Estação das Docas e a Praça da República. São aproximadamente seis horas de procissão, percorrendo 3,6 km, com mais de dois milhões de pessoas previstas em oração, devoção e agradecimentos. A expectativa deste ano é superar os 2,3 milhões de devotos presentes em 2024.
Os momentos mais emocionantes dessa grande festa, reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, você acompanha aqui na Urbnews: no portal, nas nossas redes sociais e nas nossas telas e painéis Out Of Home em Belém e em outras quatro capitais do Norte e Nordeste — Fortaleza, Manaus, Teresina, São Luís e Maceió.

História
Mas por que o achado de uma imagem se transformou em uma das maiores projeções de fé da humanidade? Relatos apontam que Plácido encontrou a imagem em uma bifurcação de um taperebazeiro. Ele a levou para casa, colocando-a em um pequeno altar de miriti, junto com um crucifixo e outras imagens de santos de sua devoção.
No dia seguinte, a imagem teria desaparecido, sendo reencontrada no mesmo local do achado. As observações se repetiram por vários dias, até que a notícia foi relatada e as autoridades civis e eclesiásticas decidiram levá-lo ao Palácio do Governo, ao Paço Episcopal e à recém-erguida Catedral. Em todas as vezes, a imagem retornava ao mesmo local de origem. Plácido então compreendeu que ela deveria permanecer no local e construída ali uma ermida, onde hoje se encontra a majestosa Basílica Santuário.
Símbolos
Ao longo da história, numerosos relatos de graças alcançadas pela intercessão de Nossa Senhora de Nazaré reforçam a fé do povo. Desde a primeira procissão, em 1793, diversos elementos foram incorporados à romaria: a Berlinda, a Corda de 400 metros dividida em cinco estações e dois núcleos, e os 14 Carros de Promessas. Com o tempo, outras romarias e eventos passaram a integrar o calendário oficial, que hoje conta com 14 romarias. Em 2019, o Traslado dos Carros foi incorporado oficialmente como procissão, com sua primeira edição oficial nas ruas em 2022, devido à pandemia. Em 2023, foi instituída a Romaria da Acessibilidade.
Em 2014, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) reconheceu oficialmente o Círio como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
Em 2022, foi incluído o Carro da Saúde, em homenagem ao padre Santo Antônio Maria Zaccaria, religioso e médico que dedicou a vida para salvar vidas, além de simbolizar agradecimentos aos profissionais de saúde que atuaram na pandemia. Com isso, a festa passou a contar com 14 carros: Carro de Plácido, Barca da Guarda Mirim, Barca Nova, Cesto de Promessas, Barca com Velas, Barca Portuguesa, Barca com Remos, Carro Dom Fuas, Carro da Sagrada Família, os quatro Carros dos Anjos, terminas pela Catequese da Basílica, e o Carro da Saúde, além da Berlinda.
O motivo da fé
Atualmente, a Imagem Original permanece na Glória da Basílica Santuário durante todo o ano, sendo próxima dos devotos em maio e outubro. Uma outra imagem, a Peregrina, participa de todas as festividades do Círio. Desde que a Imagem Original foi entronizada, outra imagem do Colégio Gentil Bittencourt a substituiu nas romarias até 1969, quando foi confeccionada a Imagem Peregrina, que participa até hoje das 14 romarias e visitas oficiais, possuindo status de Chefe de Estado, conferido por lei estadual.
Este é o Círio de Nazaré: uma manifestação religiosa que representa todo um povo, independente de escolhas ou opiniões. Representa a cidade, a economia, o turismo. Belém se transforma, e as pessoas também. Em todos os cantos só se ouve uma voz: é Círio outra vez.
Com informações de Rosana Pinto, da DFN.




