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Maranhão

Maranhão apresenta projeto da primeira universidade em território indígena do Brasil

A proposta busca unir saberes tradicionais e conhecimento científico em um modelo pioneiro de ensino superior voltado à preservação ambiental e cultural da Amazônia
Por Iôrran Freire
Atualizado há 7 meses
Tempo de leitura: 3 mins
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A proposta vem sendo construída com a participação direta das comunidades indígenas do estado. Foto: Rodrigo Ribeiro

O Governo do Maranhão apresentou, durante a COP30, em Belém, um projeto inédito que propõe a criação da primeira universidade em território indígena do Brasil. A iniciativa, coordenada pelo Instituto Tukàn com apoio do governo estadual, será implantada no Território Indígena Arariboia, no município de Amarante do Maranhão, e pretende integrar os saberes tradicionais dos povos originários à estrutura acadêmica moderna, fortalecendo a educação, a sustentabilidade e a valorização cultural.

Segundo o governador Carlos Brandão (PSB), o programa representa um marco para o estado e para o país. “Esta é uma proposta pioneira para a formação superior dos povos indígenas do Maranhão […] dando mais oportunidades de educação para os povos indígenas do nosso estado. A iniciativa também é uma forma de garantir a preservação da sua cultura e das suas tradições”, afirmou o chefe do Executivo estadual durante o evento.

A proposta vem sendo construída com a participação direta das comunidades indígenas do estado, a partir de consultas realizadas nas dez macro-regiões do Maranhão. Sob coordenação da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema), lideranças, anciãos, jovens e organizações de base têm colaborado com a elaboração do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI).

Dados do IBGE de três anos atrás indicam que o Maranhão tem mais de 57 mil indígenas distribuídos em 18 territórios e 210 municípios, sendo Amarante do Maranhão o que concentra a maior população. A associação civil sem fins lucrativos, Centro de Saberes Tentehar Tukàn, é a responsável pela execução do projeto.

De acordo com a diretora-geral do Instituto Tukàn, Fabiana Guajajara, o projeto nasce de um amplo processo de escuta e construção coletiva. O território Arariboia, onde a universidade será instalada, abrange mais de 413 mil hectares e reúne cerca de 14 mil indígenas distribuídos em 253 aldeias. 

“Trata-se de um projeto ambicioso, mas viável. Sua viabilidade se baseia em dados do diagnóstico, que indicam que 92% do território permanece intacto. Este é um trabalho de proteção e de busca pela autossustentabilidade”, destacou Fabiana.

Ela também ressaltou que a iniciativa se conecta a outras ações já em curso no Maranhão, como o trabalho dos guardiões da floresta e das viveiristas indígenas, que há décadas atuam voluntariamente na proteção ambiental.

Com informações do Governo do Maranhão.

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