Nesta semana, completou-se um ano da vigência da lei federal nº 15.100/2025, que restringiu o uso de celulares nas escolas em todo o País. Criada em um contexto de crescente preocupação com os efeitos do uso excessivo e desregulado de celulares no ambiente escolar, a legislação tem o objetivo de reduzir distrações e coibir o uso inadequado de dispositivos eletrônicos por parte dos alunos.
Com o aniversário da lei, o Ministério da Educação (MEC) anunciou que fará uma pesquisa nacional, ainda no primeiro semestre de 2026, para analisar os desdobramentos da norma. O objetivo é compreender como a restrição está sendo adotada nos diferentes sistemas de ensino e quais são os seus efeitos no ambiente escolar.
Na avaliação do ministro da Educação, Camilo Santana, a restrição do uso de celulares tem sido benéfica para os alunos. “O brasileiro passa, em média, nove horas e 13 minutos em frente a uma tela. Nós somos o segundo país do mundo que fica o maior tempo na frente de uma tela. Isso é um prejuízo muito grande para crianças e adolescentes, causa ansiedade, causa déficit de atenção, causa transtornos, distúrbios mentais”, destaca.
Segundo dados de 2022 do Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes (Pisa), 80% dos estudantes brasileiros disseram se distrair e ter dificuldades de concentração nas aulas de matemática por causa do celular. É o caso do Nicolas Lima, de 15 anos, que teve um pouco de resistência à mudança, mas viu as vantagens de uma vida com menos telas.
“Percebi que não foi tão ruim assim. Logo no primeiro dia de aula, consegui fazer um amigo, porque eu me aproximei. Também percebi que a minha concentração melhorou muito durante as aulas. Eu não usava o celular durante a aula, mas sempre no final de cada aula em que os professores estavam fazendo a troca eu pegava o celular”, contou o estudante à Rádio Nacional.
“Também, quando foi proibido o celular no intervalo, além de ficar conversando com os meus amigos, nós ficávamos jogando vários jogos, jogos de tabuleiro, conversando, um olhando para o outro, interagindo”, completou.
Para a mãe de Nicolas, a empreendedora digital Cibele Lima, a adaptação foi desafiadora no início, mas recompensadora: “Estava acostumada a poder conversar com meus filhos no WhatsApp na escola, mas hoje eu vejo que melhorou muito. Foi bom pra ele perceber que ele pode fazer amizades, que essa timidez não é uma condição fixa. Isso ficou bem claro para mim neste um ano, essa transformação, de novas amizades por meio dessa proibição.”
Professores relatam que, após a restrição do uso dos aparelhos, perceberam alunos mais atentos, participativos e focados nas atividades. Sem poder recorrer ao hábito de apenas “fotografar o quadro”, os estudantes voltaram a escrever, registrar e interagir mais. Ainda assim, para a mestre em saúde pública e psicóloga Karen Scavacini, o celular pode ser uma ferramenta muito educativa e potente quando utilizado de forma transdisciplinar.
“Ele vai permitir que tenha produção de conteúdo, leitura crítica de informações, e é um recurso importante para trabalhar educação midiática, ajudar estudantes a avaliar fontes, a ter um raciocínio crítico, a compreender os algoritmos, identificar desinformação e usar as redes de forma ética”, disse a especialista à Rádio Nacional.
Com informações da Rádio Nacional.



