O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) respondeu publicamente a declarações recentes de Michelle Bolsonaro, de que havia feito acenos políticos na tentativa de aproximar setores antagônicos: bolsonaristas e centro-esquerda. Em entrevista coletiva concedida na manhã desta sexta-feira (16) na Assembléia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), Ciro foi enfático ao descartar qualquer aliança com o bolsonarismo, afirmando que não está “disposto a vender a alma” em nome de acordos políticos.
“Eu sou uma pessoa de posições. Todas elas são leais, todas elas são claras e eu não estou disposto a vender a alma nem para ser presidente do Brasil, quanto mais para qualquer outro tipo de missão”, enfatizou Ciro.
Ciro qualificou as falas de Michelle como tentativas oportunistas de reconfigurar alianças no cenário eleitoral de 2026, mas rejeitou veementemente a ideia de integrar forças com o campo ligado ao presidente Jair Bolsonaro ou seus apoiadores. Segundo ele, a construção de um projeto político próprio, baseado em identidade ideológica clara e compromisso com políticas públicas para inclusão e desenvolvimento, está acima de acordos que, em sua visão, poderiam comprometer princípios fundamentais.
O ex-pedetista também aproveitou para traçar aspectos de sua estratégia política no Ceará. Ciro afirmou que uma chapa majoritária local, composta por um nome na disputa do governo e outro para o Senado, deve ser definida a partir de consensos internos e de alianças que fortaleçam a base política de sua campanha. Ele ressaltou a importância de construir uma frente sólida que represente a diversidade regional e que esteja alinhada com seu projeto nacional.
A declaração de que não está disposto a “vender a alma” repercutiu na mídia cearense, reforçando o tom combativo e autônomo de sua pré-candidatura. Para Ciro, a política estadual deve ser feita em coletivo: “Nós vamos juntar todos os cearenses de boa fé (…) porque o que interessa para nós não é politicagem: é enfrentar a violência impune que tomou conta da política”, disse.
No plano estadual, a definição dos nomes que integrem a chapa de oposição ainda é alvo de articulações, mas Ciro já adianta que entrarão na disputa o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio; e o ex-deputado federal, Capitão Wagner, com a outra vaga de Senador a ser ocupada por aliados. A expectativa é de que o anúncio oficial ocorra nos próximos meses.




