O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou nesta terça-feira (27), em entrevista ao jornal O Globo, que não será negligente no caso que envolve o Banco Master e que atuará com rigor técnico e autonomia institucional para assegurar a apuração dos fatos, reforçando seu compromisso com a independência e a Justiça. A fala ocorre em meio a forte repercussão política e jurídica em torno das investigações relacionadas à instituição financeira.
Fachin afirmou que acompanha com atenção os desdobramentos do caso e reiterou que todas as medidas necessárias serão tomadas conforme o ordenamento jurídico, sem privilegiar ou prejudicar qualquer grupo ou indivíduo. “Como presidente do tribunal, não posso antecipar julgamentos sobre situações que eventualmente serão apreciadas pelo colegiado. Parte do que foi referenciado envolve atos não jurisdicionais. Mas uma coisa é certa: quando for necessário atuar, eu não vou cruzar os braços. Doa a quem doer”, afirmou.
A relatoria do caso Banco Master é do ministro do STF, Dias Toffoli, e tem sido questionada por vínculos de familiares do ministro com Daniel Vorcaro, dono do banco. O Master está em liquidação extrajudicial, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, após investigações da Polícia Federal revelarem um esquema bilionário de fraudes financeiras, com manipulação de ativos, fundos fraudulentos e a prisão de seu dono, Daniel Vorcaro, por suspeitas de lavagem de dinheiro.
A liquidação extrajudicial é um procedimento aplicado pelo Banco Central que busca proteger o sistema financeiro e os interesses dos clientes.
O episódio envolvendo o Banco Master, que ainda não teve todos os detalhes tornados públicos, movimenta instituições financeiras, operadores do mercado e líderes políticos, intensificando a atenção sobre a atuação de órgãos de controle e do Judiciário na fiscalização de grandes conglomerados. Fachin, ao se manifestar, frisou que o foco da Justiça é a busca pela verdade dos fatos e a aplicação imparcial da lei, algo essencial para a manutenção da confiança das instituições e da sociedade.
O ministro se colocou a favor da criação de um código de conduta, e disse que o STF alcançou maturidade institucional que permite avançar nesse debate. “O código de conduta fortalece a instituição porque reforça a legitimidade da caminhada e aumenta a confiança da população” e completa, dizendo que não há um momento certo para que esse debate ocorra: “No Brasil, temos eleições praticamente a cada dois anos, e o debate público, com críticas e controvérsias, faz parte da democracia. A democracia é um canteiro de obras ruidoso”, conclui.




