A rotina escolar exige foco, disposição e capacidade de aprendizado constante. Essas são habilidades diretamente influenciadas pela alimentação. O que vai para o prato das crianças e adolescentes impacta, de forma imediata e duradoura, o desempenho na sala de aula.
A nutricionista Raiane Silva explica que a nutrição adequada é um dos pilares mais importantes para sustentar a atenção, a memória e o raciocínio durante o período escolar.
O cérebro alimenta o aprendizado
Segundo a especialista, o cérebro é um órgão altamente dependente de energia e nutrientes específicos, e seu funcionamento pleno só ocorre quando a alimentação oferece os “blocos de construção” necessários aos processos neurológicos.
“Evidências científicas mostram que dietas com maior diversidade alimentar, ricas em alimentos in natura e minimamente processados, estão associadas ao melhor desempenho cognitivo, especialmente em atenção e concentração”, afirma.
O café da manhã, muitas vezes negligenciado, aparece como fator decisivo. A especialista ressalta que sua omissão compromete a função mental, sobretudo em crianças mal nutridas, enquanto seu consumo regular está ligado à melhora da função executiva e da flexibilidade cognitiva.
Nutrientes que turbinam o cérebro
Para garantir o desenvolvimento cognitivo adequado, alunos precisam de um conjunto equilibrado de macronutrientes e micronutrientes.
- Carboidratos: presentes em cereais integrais, frutas, batata, arroz e vegetais, fornecem energia de liberação gradual, essencial para manter a mente alerta.
- Proteínas: encontradas em carnes magras, ovos, leite, feijões e oleaginosas, participam da produção de neurotransmissores e influenciam diretamente a memória e o foco.
- Gorduras boas: especialmente os ácidos graxos ômega-3, são fundamentais para a estrutura das membranas neuronais. Fontes como peixes de águas frias (salmão, sardinha, truta), linhaça, chia e nozes auxiliam na plasticidade cerebral e no desenvolvimento cognitivo.
Entre os micronutrientes essenciais estão ferro, zinco, iodo, vitaminas do complexo B, vitaminas A e D e colina. “Esses nutrientes participam de processos como transporte de oxigênio, síntese de neurotransmissores, mielinização e metabolismo energético cerebral, sendo críticos para memória, atenção e desenvolvimento neurocognitivo”, explica Raiane. A deficiência desses nutrientes está associada a prejuízos cognitivos e comportamentais.
Ultraprocessados
Os alimentos ultraprocessados também mostram impacto significativo dentro das escolas. De acordo com a nutricionista, produtos ricos em açúcar, sódio e gorduras de baixa qualidade oferecem energia rápida, mas pobre em nutrientes.
“Esses alimentos ricos em açúcar e ultraprocessados provocam picos rápidos de glicose no sangue, seguidos de quedas bruscas de energia. Esse efeito gera cansaço, irritabilidade, dificuldade de foco e redução da capacidade de manter a atenção por períodos prolongados”, alerta.
Pequenas mudanças, grandes resultados
A nutricionista destaca que hábitos simples podem transformar o rendimento escolar. Entre as recomendações, estão:
- Garantir o café da manhã todos os dias, com frutas, laticínios e cereais integrais
- Estimular o consumo de frutas, verduras e legumes ao longo do dia
- Reduzir a oferta de ultraprocessados e bebidas açucaradas
- Manter horários regulares de refeições
- Promover políticas de alimentação saudável nas escolas, com cardápios equilibrados e ações educativas permanentes
- Incentivar a hidratação e incluir os alunos nas decisões sobre o cardápio escolar
Para Raiane Silva, melhorar a nutrição dos estudantes é uma estratégia fundamental para elevar o desempenho acadêmico e favorecer o bem-estar. “Em conjunto, essas estratégias apresentam impacto positivo comprovado na concentração, memória e desempenho acadêmico de crianças e adolescentes”, conclui a especialista.




