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Laudo de cão Orelha após a exumação não aponta lesão na cabeça, mas mantém hipótese de trauma

O caso segue sob análise do MPSC, que solicitou dezenas de novas diligências à Polícia Civil de Santa Catarina após identificar lacunas na investigação inicial
Por Iasmim Melquíades
Atualizado há 2 meses
Tempo de leitura: 3 mins
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Algumas limitações foram destacadas pelos especialistas que realizaram o procedimento, visto que o corpo do animal já estava em fase de esqueletização, o que impediu a análise de tecidos moles. Foto: Polícia Civil de Santa Catarina

O laudo pericial elaborado pela Polícia Científica de Santa Catarina após a exumação do corpo do cão comunitário Orelha não identificou a causa da morte do animal, agredido na Praia Brava, em Florianópolis, no início de janeiro. O documento, com 19 páginas, foi produzido após a exumação realizada em 11 de fevereiro e integra uma série de diligências solicitadas pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). 

A análise dos restos mortais confirmou a morte do animal, mas apontou que não foi possível determinar a causa. O laudo apontou que fraturas não foram encontradas nos ossos do animal, mas que isso não deveria ser visto como  “ausência de trauma cranioencefálico ou mesmo em outras partes do corpo”.

No documento — que foi acessado exclusivamente pelo jornalista Jean Raupp, repórter da NSC TV — também consta que não foi identificado qualquer vestígio que comprove a hipótese, divulgada nas redes sociais, de que um prego teria sido cravado na cabeça do cão.

Algumas limitações foram destacadas pelos especialistas que realizaram o procedimento, visto que o corpo do animal já estava em fase de esqueletização, o que impediu a análise de tecidos moles. “Assim, o exame se limitou à minuciosa avaliação óssea dos remanescentes mortais”, afirma o documento. 

O laudo ainda apontou alterações ósseas compatíveis com doenças crônicas, como osteomielite na região maxilar esquerda e espondilose deformante na coluna, condições consideradas degenerativas (presente em animais idosos) e sem relação com eventual agressão recente.

Caso Orelha

O cão comunitário Orelha foi agredido no dia 4 de janeiro, na Praia Brava, em Florianópolis. Conhecido e cuidado por moradores da região, o animal era considerado dócil e costumava circular pelo bairro turístico, onde recebia alimento e abrigo. Após a agressão, ele foi socorrido por populares, mas morreu no dia seguinte em decorrência da gravidade do quadro clínico.

Um laudo inicial, com base no atendimento veterinário, apontou que a morte teria sido provocada por um golpe na cabeça com objeto contundente e sem ponta. A investigação levou ao indiciamento de um adolescente, e o caso passou a tramitar sob segredo de Justiça. A morte de Orelha gerou forte comoção e mobilizou todo o país. 

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