O presidente da Guiana, Irfaan Ali, anunciou nesta quarta-feira (6) que o país entrará em contato com o Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU), após o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, divulgar um mapa do país que contém a região de Essequibo. O território é alvo de disputa entre os dois países há algumas décadas, mas cresceu ainda mais desde novembro deste ano.
A decisão, tanto do presidente venezuelano quanto do referendo aprovado por seus eleitores, vai contra uma intimação feita pela Corte Internacional de Justiça (CIJ), que proibia qualquer ação da Venezuela contra as relações de paz em territórios guianenses.
Irfaan Ali classificou as últimas ações de Maduro como “desrespeitosas” e afirmou que o país está em alerta máximo para um possível conflito contra o que chamou de uma “nação fora da lei”.
O presidente guianense também afirmou que conversou com o secretário-geral da ONU, António Guterres. O contato com as Nações Unidas já era esperado pelas autoridades caso as tensões entre os países latinos se escalonassem.
A divulgação do novo mapa da Venezuela que contém Essequiba aconteceu na noite desta terça-feira (5), dois dias após a aprovação, no último domingo (3), de um referendo que torna favorável para a Venezuela a reivindicação do território guianense.
Na ocasião, o presidente venezuelano também anunciou uma série de medidas referentes ao tema. Também propôs uma lei para a criação da província “Guiana Esequiba”, anexando o território que pertence à Guiana.
“Imediatamente ordenei publicar e levar a todas as escolas, colégios, Conselhos Comunitários, estabelecimentos públicos, universidades e em todos os lares do país o novo Mapa da Venezuela com a nossa Guiana Essequiba. Este é o nosso querido mapa!”, publicou Maduro em uma rede social.
Histórico de tensões
Foi pouco antes do fim do mês de novembro deste ano quando a Venezuela informou que entraria em votação para aprovar o famoso referendo de Essequiba. Ele foi aprovado por 95,3% dos 10,5 milhões de eleitores do país e trouxe preocupação para a comunidade internacional. A região disputada compõe cerca de 70% do território da Guiana.
Em Essequiba, há também uma grande concentração de petróleo natural, de muito interesse dos venezuelanos. Estima-se que na Guiana há uma reserva de 11 bilhões de barris. Por causa disso, ele é o país sul-americano que mais tem crescido nos últimos anos, com expansão de 29% em 2023, segundo o Banco Mundial.
Para o Brasil, a situação é alarmante e por isso o Itamaraty permanece de olhos bem abertos para um possível conflito bélico no Norte, em direção a fronteira brasileira com os dois países em tensão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já afirmou que espera “bom senso” entre as duas nações.



