Play Video
Política

Congresso derruba vetos de Lula à desoneração da folha e ao marco temporal indígena

Por Isabela Santana
Atualizado há 2 anos
Tempo de leitura: 5 mins
Compartilhe a notícia:
No total, 53 senadores e 321 deputados foram contrários aos vetos do marco temporal, enquanto 60 senadores e 378 deputados votaram pela derrubada do veto à desoneração da folha. (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

Em sessão conjunta do Congresso Nacional nesta quinta-feira (14), senadores e deputados federais derrubaram o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto de lei que estabelece a tese do marco temporal das terras indígenas, que diz que os indígenas só terão direito ao território em que estavam na promulgação da Constituição, em outubro de 1988.

A derrubada do veto ao marco temporal foi a segunda derrota importante do governo nesta quinta. Mais cedo, senadores e deputados derrubaram outro veto presidencial, desta vez ao projeto que prorroga a desoneração da folha de pagamento de 17 setores econômicos e de pequenos municípios até 2027. A medida era considerada essencial pela equipe econômica para manter o equilíbrio fiscal da União.

No Senado, foram 60 votos pela derrubada do veto contra 13 contrários. Na Câmara, foram 378 votos pela derrubada do veto e 78 pela manutenção do veto presidencial. Ao vetar a medida, Lula havia argumentado que a desoneração reduz a contribuição para a Previdência Social, sendo inconstitucional por não demonstrar o impacto financeiro orçamentário, nem indicar a compensação dessas perdas.

Implementada em 2011 como medida temporária, a política de desoneração da folha vem sendo prorrogada desde então. O Ministério da Fazenda vinha defendendo que a desoneração fosse discutida junto com a reforma tributária sobre a renda, a ser discutida em 2024. O governo também prometeu apresentar uma proposta alternativa à desoneração.

A derrubada do veto foi defendida pelo presidente do Congresso Nacional, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que afirmou que a medida pode evitar a demissão dentro dos setores beneficiados. Além disso, ele defendeu que as alternativas à desoneração devem ser apresentadas com a medida em vigor. “Que os eventuais aprimoramentos a respeito desse tema se deem com a desoneração mantida para que haja previsibilidade. Há 17 setores que se programaram”, justificou.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou a derrubada do veto. Para ele, o Congresso poderia discutir uma alternativa à desoneração. “Pautar a desoneração no dia de hoje desse jeito é uma provocação ao governo. É querer impor uma derrota ao governo. Não tinha necessidade. O Ministro Haddad queria negociar uma transição [à desoneração]”, lamentou

Marco temporal

A derrubada dos vetos de Lula à tese do marco temporal das terras indígenas foi apoiada por 53 senadores e 321 deputados na sessão conjunta, enquanto 19 senadores e 137 deputados votaram para manter a decisão presidencial. Houve ainda uma abstenção entre os deputados, nenhuma entre senadores.

A retomada do marco temporal na legislação deve acionar novamente a manifestação do Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiu, em 21 de setembro deste ano, que a tese era inconstitucional. Oito dias depois, a Câmara e o Senado aprovaram um projeto de lei para incluir a tese do marco temporal em lei federal. Em outubro, o presidente Lula vetou parcialmente o projeto aprovado no Poder Legislativo, argumentando que a tese já havia sido considerada inconstitucional.

Para o senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), o veto prejudica a exploração econômica dos territórios do Brasil. “Nenhum país do mundo tem a extensão territorial destinada aos indígenas como nós temos no Brasil. De 114 milhões de hectares de terra para reservas indígenas é muito alto, e querem chegar a 120 e 130 milhões de hectares. O Brasil já está engessado com reservas indígenas, parques nacionais e áreas de preservação.”

Segundo a Fundação Nacional do Povos Indígenas (Funais), as 736 terras indígenas registradas representam 13% do território brasileiro, o que totaliza aproximadamente 117 milhões de hectares. De acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem quase 900 mil indígenas, distribuídos em 305 etnias.

Favorável à manutenção do veto, o deputado federal Tarcísio Motta (PSOL-RJ) argumentou que a Constituição não estabeleceu esta lógica de um marco a partir do qual as ocupações das terras indígenas seriam legítimas. “Essa é uma batalha de setores do agronegócio interessados em seguir avançando sobre as terras indígenas, e povos e populações indígenas, movimentos sociais, que lutam pela sua sobrevivência, pelo direito de existir”, afirmou.

“A opinião dada pelo governo e a decisão do presidente Lula foi seguindo não só a conversa com a sociedade, mas seguindo o respeito aos povos originários. Essa matéria agride direitos, bota em risco a vida, a educação e o direito ao território. Esses povos estavam aqui muito antes de todos os colonizadores chegarem, e nós não podemos decidir um marco temporal a partir de uma data estabelecida de promulgação da Constituição, que vamos retirar povos que, naquele momento, estava em litígio e tinham direito à terra”, afirmou a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

Com informações da Agência Brasil.

241
Compartilhe

Assuntos

Notícias relacionadas

Lula sanciona lei que impede relativização do estupro de vulnerável após caso em Minas Gerais
Brasil
Lula sanciona lei que impede relativização do estupro de vulnerável após caso em Minas Gerais
NOTÍCIAS-10
Política
Lula cita pacto contra feminicídi0, fim da escala 6x1 e ECA Digital em discurso do Dia da Mulher
NOTÍCIAS-9
Mundo
Sem Lula, Trump lança cúpula “Escudo das Américas” com líderes da direita contra o narcotráfico
Lula sanciona lei que impede relativização do estupro de vulnerável após caso em Minas Gerais
Brasil
Lula sanciona lei que impede relativização do estupro de vulnerável após caso em Minas Gerais
NOTÍCIAS-10
Política
Lula cita pacto contra feminicídi0, fim da escala 6x1 e ECA Digital em discurso do Dia da Mulher
NOTÍCIAS-9
Mundo
Sem Lula, Trump lança cúpula “Escudo das Américas” com líderes da direita contra o narcotráfico
Pesquisa Datafolha: Lula tem 46% e Flávio Bolsonaro 43% das intenções de voto no 2º turno
Política
Pesquisa Datafolha: Lula tem 46% e Flávio Bolsonaro 43% das intenções de voto no 2º turno

Inscreva-se em nossa Newsletter!

A forma mais rápida de manter-se atualizado.
Receba as notícias mais recentes, de segunda a sexta-feira, diretamente na sua caixa de e-mail.