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Lobo-terrível, estrela de ‘Game of Thrones’, é recriado 10 mil anos após extinção

Por José Gabriel Herculino
Atualizado há 1 ano
Tempo de leitura: 5 mins
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O lobo-terrível ganhou destaque na série de ficção “Game of Thrones” como símbolo da Casa Stark. Foto: Divulgação/Colossal Biosciences

Após mais de 10 mil anos, o uivo do lobo-terrível ecoou novamente na Terra. Uma empresa de biotecnologia norte-americana, a Colossal Biosciences, afirma que conseguiu recriar a espécie de lobos pré-históricos a partir de DNA antigo. A startup alegou que três exemplares nasceram em outubro e estão sendo mantidos em uma reserva natural de localização desconhecida.

Os filhotes foram batizados como Rômulo, Remo e Khaleesi e seriam a prova de que é possível “reviver” espécies a partir da modificação de características de animais ainda vivos. O lobo-terrível ganhou destaque na série de ficção “Game of Thrones” como símbolo da Casa Stark.

Os lobos-terríveis eram visualmente semelhantes aos lobos cinzentos e aos chacais, apesar da linha genética distinta. O registro mais antigo da espécie, natural da América do Norte, data de 250 mil anos atrás.

“Nossa equipe usou DNA de um dente de 13 mil e de um crânio de 72 mil anos para recriar filhotes de lobos-terríveis”, explicou Ben Lamn, CEO e cofundador da Colossal, empresa responsável pela pesquisa em torno dos lobos. 

Apesar do resultado, especialistas em sequenciamento genético elucidam que ainda é cedo para afirmar que este é um passo concreto na tarefa de trazer à vida animais extintos. O artigo que descreve o estudo, por exemplo, ainda não foi publicado em revistas científicas nem revisado por pares.

De acordo com reportagem da revista “Time”, o feito da Colossal não envolveu a recriação integral do DNA do lobo terrível (Aenocyon dirus), mas sim a modificação genética do material de lobos modernos, com alterações em cerca de 20 regiões do genoma para obter as características da espécie extinta (tamanho, ombros e cabeça, dentes e mandíbulas maiores, pernas mais musculosas e vocalização característica).

Em outras palavras, os animais apresentados não são réplicas perfeitas dos lobos-terríveis que viveram há mais de 10 mil anos, mas híbridos editados geneticamente com base em fragmentos de DNA ancestral.

O que se sabe sobre o processo de desextinção

Segundo o relato da “Time’, a empresa utilizou uma técnica menos invasiva de clonagem e edição genética para “reviver” o animal.

  • Os cientistas coletaram células progenitoras endoteliais (EPCs) do sangue de um lobo-cinzento comum.
  • Em seguida, editaram especificamente 14 genes-chave dessas células para corresponder ao DNA dos lobos gigantes, sem inserir diretamente material genético antigo.
  • Esses núcleos editados foram implantados em óvulos desnucleados, gerando embriões que foram gestados por cadelas mestiças saudáveis e de grande porte.

“Este momento marca não apenas um marco para nós como empresa, mas também um salto para a ciência, a conservação e a humanidade”, afirma a empresa em uma postagem no X, antigo Twitter.

A companhia tem como objetivo se tornar a primeira empresa a utilizar a tecnologia Crisp para trazer à vida espécies já extintas. A tecnologia trata-se de uma “tesoura genética”, que permite à ciência mudar parte do código genético de uma célula. Com essa “tesoura”, é possível “cortar” partes específicas do DNA, fazendo com que a célula produza ou não determinadas proteínas.

Em março, a Colossal já havia afirmado que teria conseguido criar camundongos geneticamente modificados com pelos semelhantes aos dos mamutes-lanosos, espécie extinta há quatro mil anos. Mas essa seria a primeira vez em que uma espécie teria sido desextinta com todas as suas características originais. 

A importância da desextinção

A Colossal Biosciences foi criada em 2021 com o objetivo de “ressuscitar” animais extintos em versões modificadas para buscar o equilíbrio ambiental. 

De acordo com pesquisadores da empresa, o aquecimento global tem aumentado as temperaturas na tundra da Sibéria e da América do Norte, o que acelera a liberação de grandes volumes de dióxido de carbono na atmosfera.

Hoje a tundra é ocupada principalmente por musgo, porém, na época dos mamutes, havia pastagens. Biólogos acreditam que o mamute desempenhava um papel crucial nesse ecossistema, ajudando a manter o pasto ao remover musgo, derrubar árvores e fertilizar o solo com seus excrementos. 

A empresa, portanto, pretende trazer de volta outras espécies extintas, como o mamute-lanoso, o dodô e o tilacino (ou tigre-da-tasmânia).

A ideia é que o equilíbrio ambiental possa ser restaurado com a volta desses animais, ajudando a conter as emissões de dióxido de carbono e outras substâncias tóxicas. 

Com essa proposta, a empresa tem arrecadado bilhões de dólares desde sua fundação. Atualmente, as avaliações de mercado que apontam que a Colossal vale aproximadamente US$ 10 bilhões.

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