Fortaleza comemorou, nesta sexta-feira (15), o Dia de Iemanjá com uma série de festejos que envolveram fiéis e comunidades tradicionais em diversas áreas da cidade. A programação incluiu cortejos, apresentações culturais, rituais de oferenda à Rainha do Mar e celebrações que destacaram a importância do sincretismo religioso presente na cultura cearense.
A 13ª edição da Festa de Iemanjá marcou mais um capítulo da tradição que mistura fé, ancestralidade e resistência cultural.
Em matéria publicada pela Agência Brasil, Mãe Tecla de Tupinambá, presidenta da União Espírita Cearense de Umbanda, ressaltou a relevância histórica da festividade. “Uma das homenagens mais importantes que existe aqui no estado do Ceará. […] nos anos 30, nos anos 40, com o Manuel Rodrigues de Oliveira, começamos a poder ter uma manifestação de matriz afrobrasileira, porque naquela época era totalmente proibido. […] 15 de agosto é de suma importância para nós umbandistas”, disse.
Além das manifestações religiosas, o evento promove a economia local, beneficiando artesãos, empreendedores e comunidades tradicionais. Cortejos, música, danças e rituais de oferenda movimentaram a cidade desde as primeiras horas da manhã.
Mestre Pai Neto Tranca Rua, um dos líderes espirituais à frente da organização do evento, ressaltou a importância da celebração: “A Festa de Iemanjá é mais do que um ato de fé. É um grito de resistência, de ancestralidade viva, que ecoa pelas águas de Fortaleza. É onde reafirmamos nosso lugar, nossa cultura e nossos direitos. Essa festa é um marco da luta do povo de terreiro por respeito e visibilidade”.
A temática deste ano, “60 anos de amor, luta e fé”, reforçou o caráter simbólico e histórico do evento, evidenciando a continuidade de uma tradição que resiste há décadas. A Festa de Iemanjá integra o calendário oficial de Fortaleza e é reconhecida desde 2018 como Patrimônio Cultural Imaterial.




