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Economia

Desigualdade sobe em 2025, mas é a 2ª menor da série no Brasil; renda cresce mais para ricos

O rendimento domiciliar per capita (por pessoa) cresceu para pobres e ricos no ano passado, mas a alta foi mais intensa para quem ganha mais
Por UrbNews
Atualizado há 25 segundos
Tempo de leitura: 7 mins
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Em 2025, o índice brasileiro foi calculado em 0,511. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Após atingir a mínima histórica em 2024, a desigualdade de renda medida pelo índice de Gini subiu no país em 2025, apontam dados divulgados nesta sexta-feira (8) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Conforme o órgão, o rendimento domiciliar per capita (por pessoa) cresceu para pobres e ricos no ano passado, mas a alta foi mais intensa para quem ganha mais, o que explica a subida da disparidade.

O Gini varia de 0 (igualdade máxima) a 1 (desigualdade máxima). Quanto maior o número, mais elevada é a concentração de renda em um local.

Em 2025, o índice brasileiro foi calculado em 0,511, o que significa um avanço de 1,4% ante a mínima verificada em 2024 (0,504).

Apesar da elevação, o patamar do ano passado é o segundo menor já registrado na série do IBGE, iniciada em 2012. Os dados são da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua): Rendimento de todas as fontes.

“A renda cresceu para todas as classes. Não houve piora. Mas, no topo da pirâmide, os 10% da população de maior renda tiveram crescimento acima da média”, disse Gustavo Geaquinto Fontes, analista da pesquisa do IBGE.

O técnico chamou a subida do Gini de “pequena oscilação” para cima, perto do campo da estabilidade.

O indicador leva em conta as diferenças da renda média domiciliar per capita do trabalho e de fontes como aposentadorias, pensões, aluguéis, programas sociais e aplicações financeiras.

O rendimento per capita soma esses recursos e divide o resultado pelo número de moradores nos domicílios.

RENDA DOS 10% MAIS RICOS TEM ALTA DE 8,7%

Na média do país, a renda por pessoa foi estimada em R$ 2.264 por mês em 2025. O valor cresceu 6,9% ante 2024, renovando o recorde da série.

Entre os 10% mais ricos da população, a alta chegou a 8,7%. O rendimento do grupo alcançou R$ 9.117, outra máxima da pesquisa.

Enquanto isso, no extremo formado pelos 10% mais pobres, a renda per capita subiu 3,1%, a R$ 268. O valor também é recorde, apesar da variação menos intensa.

Como não houve ampliação de programas sociais em 2025, o rendimento dos mais pobres subiu menos, indicou o IBGE.

A parcela da população que contava com recursos de benefícios ficou em 9,1% no ano passado, nível similar ao de 2024 (9,2%).

O valor médio pago pelos programas sociais foi estimado em R$ 870 em 2025, próximo ao observado na leitura anterior (R$ 875). A pesquisa abrange benefícios do governo federal, como Bolsa Família e BPC, e iniciativas de estados e municípios.

“O benefício de programa social não teve reajuste, manteve-se estável. Não contribuiu para o aumento da renda dessas famílias”, disse Gustavo Geaquinto Fontes, do IBGE.

Já o rendimento médio de todos os trabalhos, que impacta ricos e pobres, foi estimado em R$ 3.560 em 2025. O valor renovou a máxima da pesquisa, com alta de 5,7% ante 2024. O trabalho é a principal fonte de renda dos domicílios brasileiros.

Além dele, ganhos com aluguel e aplicações financeiras em um contexto de juros altos também podem ter beneficiado os mais ricos no ano passado, indicou Gustavo.

Em média, o rendimento proveniente de aluguel aumentou 11,8% em 2025, para R$ 2.526. Na categoria descrita como outros rendimentos, que inclui opções como aplicações financeiras, o crescimento foi de 3,6%, para R$ 2.302.

O Brasil é historicamente um país desigual. Na série da Pnad, a maior disparidade foi encontrada no Gini de 2018 (0,545), antes da pandemia.

Após a crise sanitária, o índice conseguiu se manter em um patamar inferior, sob impacto de benefícios sociais e da recuperação do mercado de trabalho.

O Gini, porém, nunca ficou abaixo de 0,5 na pesquisa. Índices na faixa de 0,5 sinalizam desigualdade elevada, avalia André Salata, coordenador do laboratório de estudos PUCRS Data Social.

Segundo ele, países nórdicos, mais igualitários, mostram indicador em torno de 0,25 a 0,3, enquanto nações como os Estados Unidos, com disparidade maior, registram número próximo a 0,4. O IBGE não divulgou comparações internacionais.

Em 2025, o rendimento médio per capita dos 10% mais ricos da população brasileira (R$ 9.117) correspondeu a 13,8 vezes o encontrado entre as pessoas 40% mais pobres (R$ 663).

A razão segue mostrando diferenças profundas, mas é a segunda menor da série. Fica atrás apenas da registrada em 2024 (13,2 vezes).

CENTRO-OESTE TEM MAIOR DESIGUALDADE PELA 1ª VEZ

Entre as regiões, o Centro-Oeste teve a maior desigualdade medida pelo Gini no ano passado (0,506). É a primeira vez que isso ocorre na Pnad. A região deixou para trás o Nordeste (0,503).

Sudeste (0,500) e Norte apareceram na sequência (0,492), enquanto o Sul continuou com a menor disparidade (0,458).

O Centro-Oeste é conhecido por reunir servidores da elite do funcionalismo em Brasília. Entre as unidades da federação, o Distrito Federal registrou mais uma vez a maior renda per capita (R$ 4.401) e a maior desigualdade no Gini (0,570).

O Rio de Janeiro vem na sequência do ranking de disparidade (0,543). Santa Catarina mostra a distribuição de renda menos desigual na pesquisa (0,425).

Embora o Gini seja usado frequentemente para calcular a concentração de rendimentos, pode encontrar dificuldades para captar recursos no topo da pirâmide social, como ganhos com juros e dividendos.

A redução da pobreza e das desigualdades e o crescimento da renda são bandeiras do governo do presidente Lula (PT), que tomou posse para seu terceiro mandato em 2023.

O petista deve tentar a reeleição em outubro deste ano, mas tem sido ameaçado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em pesquisas de intenção de voto.

O endividamento recorde das famílias em um cenário de juros elevados e o nível dos preços dos alimentos são apontados como desafios para Lula em 2026.

A Pnad divulgada nesta sexta pelo IBGE leva em conta dados populacionais atualizados após o Censo Demográfico 2022.

Com isso, os resultados de anos anteriores podem apresentar pequenas diferenças na comparação com os números publicados inicialmente.

DESIGUALDADE DE RENDA NO BRASIL

Variação do índice de Gini, de 0 (igualdade máxima) a 1 (disparidade máxima)*

2012 – 0,540

2013 – 0,532

2014 – 0,526

2015 – 0,524

2016 – 0,537

2017 – 0,539

2018 – 0,545

2019 – 0,543

2020 – 0,523

2021 – 0,543

2022 – 0,517

2023 – 0,517

2024 – 0,504

2025 – 0,511

*Considera rendimento domiciliar per capita (por pessoa)

Fonte: IBGE

RENDA PER CAPITA DOS EXTREMOS DA POPULAÇÃO

Média domiciliar mensal, em R$

10% MAIS POBRES

2012 – 171

2013 – 188

2014 – 203

2015 – 192

2016 – 165

2017 – 152

2018 – 150

2019 – 150

2020 – 173

2021 – 117

2022 – 187

2023 – 230

2024 – 260

2025 – 268

Fonte: IBGE

RENDA PER CAPITA DOS EXTREMOS DA POPULAÇÃO

Média domiciliar mensal, em R$

10% MAIS RICOS

2012 – 7.638

2013 – 7.782

2014 – 7.880

2015 – 7.569

2016 – 7.670

2017 – 7.704

2018 – 8.094

2019 – 8.147

2020 – 7.566

2021 – 7.213

2022 – 7.337

2023 – 8.256

2024 – 8.385

2025 – 9.117

Fonte: IBGE

VARIAÇÃO DA RENDA PER CAPITA DOS EXTREMOS DA POPULAÇÃO

Em % de 2024 para 2025

10% mais pobres – 3,1

10% mais ricos – 8,70

Fonte: IBGE

DESIGUALDADE DE RENDA NAS REGIÕES EM 2025

Variação do índice de Gini, de 0 (igualdade máxima) a 1 (disparidade máxima)*

Centro-Oeste – 0,506

Nordeste – 0,503

Sudeste – 0,500

Norte – 0,492

Sul – 0,458

*Considera rendimento domiciliar per capita (por pessoa)

Fonte: IBGE

DESIGUALDADE DE RENDA NAS UFS EM 2025

Variação do índice de Gini, de 0 (igualdade máxima) a 1 (disparidade máxima)*

Distrito Federal – 0,570

Rio de Janeiro – 0,543

Rio Grande do Norte – 0,540

Sergipe – 0,532

Pernambuco – 0,520

Alagoas – 0,512

Acre – 0,509

Piauí – 0,508

Paraíba – 0,507

Ceará – 0,506

Roraima – 0,506

Amapá – 0,495

Pará – 0,492

São Paulo – 0,491

Maranhão – 0,491

Amazonas – 0,488

Espírito Santo – 0,480

Goiás – 0,479

Minas Gerais – 0,473

Tocantins – 0,472

Paraná – 0,470

Rio Grande do Sul – 0,468

Bahia – 0,466

Rondônia – 0,458

Mato Grosso do Sul – 0,457

Mato Grosso – 0,439

Santa Catarina – 0,425

*Considera rendimento domiciliar per capita (por pessoa)

Fonte: IBGE

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